Créditos: Isis Gonçalves.
bonança, cantautor de Massamá, edita agora o seu disco de estreia “só”, uma obra sobre incerteza e bastante existencial, oriunda de uma das vozes mais curiosas e inquietantes da nova música autoral portuguesa.
“só”, o álbum de estreia a solo de bonança, foi composto ao longo dos últimos 3 anos e é uma coleção de canções que escancara tanto janelas quanto portas para a realidade de alguém que permanece incerto quanto ao seu lugar no mundo. Numa fase em que os sonhos da infância já há muito se desvaneceram mas o vazio das rotinas do resto da vida ainda custa a engolir, bonança tenta encontrar o seu lugar e passo, ao longo das 10 canções que fazem parte deste disco.
“só é um álbum sobre querermos sentir-nos pessoas normais”, remata bonança ao colocar por palavras a origem do seu disco de estreia. “O que pode parecer um desejo simples é na verdade uma dificuldade constante para muita gente - para mim é pelo menos, sem dúvida. Esta sensação, no entanto, que nem chega propriamente a ser um sentimento, é tanto complexa de deslindar quanto absurda. A minha vida não é má, não tenho qualquer hesitação em reconhecê-lo, mas não me faltam momentos de melancolia e por vezes mesmo desespero - parece haver sempre uma tristeza, uma iminente rutura prestes a ter lugar, algo que apaga tanto o mundo que me rodeia quanto a minha capacidade de nele estar presente. Mas, mais uma vez: a minha não é má. É só isto que está mal. É só a minha atitude. só o não encontrar vazão para isso tudo.”
“só” é por isso, nas palavras do artista, “um álbum egoísta, talvez. É o meu sofrimento, o que me faz ficar acordado à noite. No entanto, por mais que seja apenas isto, uma coisa absolutamente ‘em si mesmada’, nasce porque os últimos anos me fizeram compreender que este é o único modo que tenho de verdadeiramente me sentar à mesa com as outras pessoas.”
Todos temos dores como as que bonança canta nas canções. Todos temos esqueletos no armário, coisas em nós de que não gostamos, coisas que nos magoam, dificuldade em acompanhar o ritmo do mundo ocasionalmente, ou em lidar com os desencontros do amor e o significado da perda.”Não inventei nada nem há quem o possa fazer, e por isso mesmo ao me reduzir à insignificância destas batalhas do dia-a-dia penso que descobri uma maneira honesta de conversar.”
“‘só’ é só sobre mim e por isso é um bocadinho sobre nós todos. Sobre coisas sem importância mas que por isso mesmo acartam o peso da vida. Sobre todos os dias acordar e tentar fazer as pazes com o pouco que nos cabe não disso fugindo, mas falando, partilhando, reconhecendo-nos uns nos outros. É só isso, mas, sendo só isso, é tudo.”
CONCERTOS DE APRESENTAÇÃO A 14 MAIO NA CASA CAPITÃO (LISBOA) E 28 MAIO NO RCA (PORTO)
Depois de no início de 2026 ter lançado uma faixa intitulada “tão perto”, um tema-purga à apatia, o artista apresentou “canção de não-intervenção” em abril. O disco completo chega agora a todas as plataformas digitais.
“só” arranca já na próxima semana para a estrada, em concertos de apresentação, com data agendada para dia 14 de maio na Casa Capitão em Lisboa e dia 28 de maio no RCA, no Porto. No primeiro espetáculo a primeira parte está a cargo de Tiago Jesus, já na invicta é MALVA quem abre o palco. Bilhetes já disponíveis.

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