sexta-feira, 22 de maio de 2026

CRISTINA CLARA REGRESSA COM 'BONANÇA', UM DUETO COM ANTÓNIO ZAMBUJO





















Fotografia: Ana Viotti

O novo tema antecipa o próximo álbum da cantora e autora e chega durante a tour de concertos da artista por países como Estados Unidos, Brasil, Bélgica, Áustria e Bulgária.

Cristina Clara está de volta aos lançamentos com 'Bonança', o primeiro single do seu próximo disco, cuja edição está prevista para outubro deste ano. Depois do primeiro álbum "Lua Adversa", de 2021, a artista inaugura um novo ciclo criativo, no qual se destaca a forma como pensa a canção enquanto território de memória, circulação e reinvenção. Interpretado em dueto com António Zambujo, 'Bonança' tem por base o fado tradicional Alexandrino Antigo e reabre-o num arranjo que recria o ambiente de criação coletiva onde se move, reunindo músicos de Portugal, Brasil e Cabo Verde, revelando um espaço sonoro em que a herança não é matéria fixa, mas impulso vivo - permeável e aberto ao presente.

"Eu já conseguia imaginar esta história na voz do António Zambujo antes de ela acontecer. Há na forma como ele usa as palavras uma naturalidade refrescante - quase como quem conversa dentro da melodia. Contar esta história com ele foi profundamente inspirador e confirmou uma afinidade poética e musical que eu já intuía", revela Cristina Clara.

Com letra da autoria da artista, 'Bonança' nasce de um lugar íntimo com que facilmente nos identificamos: o momento em que uma espera prolongada deixa de ser promessa e se transforma em ocupação, desconforto e excesso. A canção fixa, precisamente, esse instante de rutura - quando libertar o espaço da espera se torna condição para que o vazio volte a ser possibilidade, respiração e movimento.

'Bonança' abre caminho para o próximo longa duração de Cristina Clara, que entende a tradição como matéria viva e a cultura popular como linguagem em permanente transformação. Nesta nova etapa da sua carreira, a artista desenha um universo de escuta sensível e de compromisso, assumindo a direção artística, a seleção do repertório, a construção dos ambientes sonoros, a escolha dos parceiros e também a escrita. Mais do que um alinhamento de canções, o novo álbum propõe uma dramaturgia musical e afetiva. A narrativa que sustenta este novo trabalho nasce da vivência de Cristina Clara no meio musical contemporâneo e dos diferentes contextos artísticos e culturais em que se move.

"O contacto continuado com linguagens e práticas em diferentes lugares faz-me acreditar, cada vez com maior convicção, que a cultura popular persiste não por se manter intacta, mas por conservar a capacidade intrínseca de se deixar atravessar pelo tempo, pelas pessoas e pelas suas vivências e encontros", conta a artista.

Enquanto termina o novo disco, com lançamento previsto para outubro, Cristina Clara atuou em Washington, nos Estados Unidos, a convite da Universidade de Georgetown, passou pelo Antwerp Spring Festival, na Bélgica, e por Viena de Áustria. No próximo mês de junho segue para o Brasil numa tour de várias cidades, à qual se segue uma apresentação no A to Jazz Festival, em Sófia, na Bulgária, em julho.

Cantora e autora com um percurso centrado na criação, interpretação e reconfiguração de repertórios ligados às canções de tradição oral e urbana de Portugal, do Brasil e de Cabo Verde, Cristina Clara tem vindo a afirmar uma linguagem artística própria, assente nesse diálogo entre as origens e a contemporaneidade. Desenvolveu a formação em voz, canto e interpretação teatral no espaço Evoé, em Lisboa. A ligação ao Teatro, com a interpretação do papel de uma fadista em contexto cénico, esteve na origem de um convite para cantar no Café Luso, que marcou o inicio da sua atividade profissional como intérprete.

Em 2021, lançou o primeiro álbum, "Lua Adversa", que articula Fado e Choro. O disco, distinguido pela Antena 1, contou com o apoio do Museu do Fado e teve distribuição digital pela Sony Music. Em 2024, foi uma das autoras convidadas do Festival da Canção, da RTP, onde chegou à final com a canção 'Primavera', cuja letra é da sua autoria e a música do compositor cabo-verdiano Jon Luz. No mesmo ano, foi selecionada para showcase oficial na WOMEX, em Manchester e, em 2025, nomeada para o Upbeat New Talent Award.

Desde então, tem apresentado o seu trabalho em palcos nacionais e internacionais, entre os quais Teatro da Trindade, Centro Cultural de Belém (no ciclo Há Fado no Cais), Festival Santa Casa Alfama, Festival Jardins do Marquês, Centre des Arts Pluriels (Luxemburgo), Casa de Portugal (São Paulo, Brasil), AME (Cabo Verde), Festival MED (Portugal), Festival Glatt & Verkehr (Áustria) ou Antwerp Spring Festival (Bélgica).

Paralelamente à sua atividade artística, desenvolve ações de mediação sob a forma de masterclasses e workshops dedicados às canções tradicionais portuguesas, relacionando-as com práticas de percussão de mão, historicamente associadas ao universo feminino.

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