Esta colectânea — exclusivamente em formato vinil — reúne 10 temas interpretados em dueto com Samuel Úria, Zeca Medeiros, Manuel João Vieira, Donatello Brida e António Rivotti, entre outros músicos instrumentistas que dão vida ao disco. O alinhamento inclui Santa Apolónia, Vas’ilha, Vida de Gaveta, Fado do Bebedor, À Procura de um Perfume, Tolok, Fado Emaranhado, Rosinha Vem-te Comigo, Doce História e Dame Una Rosa — canções escolhidas a partir dos dois álbuns anteriores, …e outras canções que não quiseram ficar para Tias, volumes 1 e 2, editados em 2023 e 2025 pela AVM.
Entre estas, destaca-se “Fado do Bebedor”, originalmente editada em Dias da Publicidade (2001), que regressa agora com um novo arranjo e um lugar de destaque nesta edição. É também o tema escolhido para o primeiro videoclipe da colectânea.
Escolher canções para uma colectânea nunca é tarefa simples. Há as mais “queridas”, as que nos representam, e aquelas outras que, embora apaixonantes, ficam a meio caminho da decisão. E depois há a realidade prática: custos elevados para um álbum duplo, o editor a protestar porque “os tempos estão difíceis” e “a música não se vende”… enfim, o habitual cenário de bastidores.
Ainda assim, foram estas as canções que sobreviveram às intempéries. Lutaram pelo seu espaço, reivindicaram direitos “audiolaborais” e afirmaram a legitimidade de serem ouvidas. As restantes aceitarão, com a serenidade possível, o seu lugar na prateleira mais terna do coração do autor.
E se o formato é vinil, não é por isso que as canções são de plástico — são em plástico, sim, mas daquele que brilha. Um vinil colorido, pensado para iluminar os audiófilos nas suas emoções mais refinadas. Um verdadeiro bouquet na mediatização da música gravada e editada.
“Fado do Bebedor” tema de apresentação do novo álbum também em formato videoclipe, fala-nos da relação humana com a bebida, da forma como gerimos o estado inebriado.
Segundo a teoria no Filme “Druk”, dirigido por Thomas Vinterberg, nascemos com deficit de 0,5 g de álcool no sangue, a qual nos tenta mostrar o impacto que o consumo alcoólico pode alterar e “melhorar” a nossa relação social, com a consciência que a moderação é fundamental.
"Fado do Bebedor" é um pouco essa ideia, através de uma melodia não dramática, até um pouco festiva, em consonância com a mensagem poética transmitida.
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