No próximo dia 25 de maio, data do aniversário de José Mário Branco, Luiz Caracol edita uma nova versão de “Eu Vi Este Povo a Lutar”, numa sentida homenagem a uma das figuras maiores da música e da intervenção cultural portuguesa.
Mais do que revisitar uma canção emblemática, esta edição propõe um encontro contemporâneo com uma obra que continua profundamente viva no imaginário coletivo português. Produzida e gravada por Luiz Caracol e Rui Pedro Pity, a nova interpretação apresenta um arranjo moderno e pessoal, respeitando a força original da composição enquanto lhe acrescenta uma nova dimensão estética e emocional. A mistura e masterização ficaram a cargo de Ivo Costa (Bateu Matou).
Para Luiz Caracol, esta homenagem nasce de uma relação profunda com a obra de José Mário Branco:
“Há canções que não se escolhem. Que chegam antes de qualquer decisão, enraizadas em qualquer coisa que está dentro de nós antes mesmo de sabermos o seu nome. “Eu vi este povo a lutar”, de José Mário Branco, é uma dessas canções para mim.
JMB foi — e continua a ser — uma referência incontornável. Não apenas pela força política e humana da sua obra, pelo modo como soube transformar a resistência em beleza e a luta em poesia, mas também pela sofisticação com que construiu o seu universo sonoro. Os seus arranjos, a sua visão, a sua estética, a sua recusa em simplificar — tudo isso moldou profundamente a forma como entendo a música e o que ela pode ser.
Esta gravação nasce desse lugar de admiração e dívida. Eu e Rui Pedro Pity quisemos fazer uma versão com um forte cunho pessoal — não apenas mais uma interpretação, mas um encontro sentido e verdadeiro com a canção. Um arranjo elaborado e moderno, gravado na íntegra pelos dois, onde cada escolha é um gesto de escuta e de homenagem. A mistura e masterização ficaram a cargo de Ivo Costa (Bateu Matou), que soube preservar e ampliar tudo o que queríamos dizer.
Há muito que queria fazer isto. Pois era uma dívida antiga, agora paga com o maior dos respeitos e a maior das admirações.”
— Luiz Caracol
A edição é também acompanhada por um testemunho de Pedro Branco, filho mais velho de José Mário Branco, que sublinha a dimensão afetiva e artística desta recriação:
“Uma versão não é apenas uma nova interpretação. É uma homenagem feita da pele do que somos feitos, do tempo que damos ao namoro da obra, do lugar que escolhemos para, numa forma muito própria nossa, dizermos: Eis como me quero incluir na tua canção. “Eu vi este povo lutar”, uma canção feita de força, de bombos e de rua, transforma-se, agora, na mão dada que o Luiz resolve dar ao Zé Mário. É assim que te quero cantar, meu Mestre. Desta forma minha de saborear e de pintar a existência, a luta, os grandes valores da nossa passagem por esta vida. Obrigado, Luiz, por teres tido esta ousadia e teres conseguido tatuar, de uma forma tão tua, o teu nome nesta fundamental canção das nossas vidas.”
— Pedro Branco

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