Joana César
Pela primeira vez na Festa do Avante!, um encontro absolutamente único promete marcar a 50.ª edição com um dos momentos mais memoráveis do cartaz: O guitarrista e compositor Pedro Jóia convida o artista brasileiro Ney Matogrosso para um concerto irrepetível que cruza geografias, linguagens e sensibilidades artísticas. Uma celebração de uma relação artística de vários anos, a não perder no evento que se realiza entre 4 e 6 de setembro, na Quinta da Atalaia, no Seixal.
De um lado, Pedro Jóia, mestre da guitarra e figura maior da música instrumental, reconhecido internacionalmente pela sua capacidade de dialogar com diferentes tradições. Do outro, Ney Matogrosso, uma das vozes mais intensas e carismáticas da música brasileira, cuja presença em palco é sinónimo de liberdade, expressão e força interpretativa.
Mais do que um encontro pontual, este espetáculo assenta numa relação artística construída ao longo de vários anos. Pedro Jóia e Ney Matogrosso têm colaborado em diferentes contextos, desenvolvendo uma cumplicidade musical rara, num diálogo contínuo entre Portugal e Brasil.
O primeiro encontro artístico aconteceu em 2003, quando Pedro Jóia convidou Ney Matogrosso para participar no álbum "Jacarandá". A afinidade musical revelou-se imediata: a guitarra de Pedro Jóia encontrou na voz teatral e expressiva de Ney um espaço de enorme liberdade estética. A colaboração evoluiu rapidamente para uma parceria continuada. Ney convidou então Pedro Jóia para integrar a sua banda, participação que se prolongou durante cerca de quatro anos. Nesse período, Jóia colaborou nos discos "Vagabundo" (2004) e "Canto em Qualquer Canto" (2005), além das respetivas digressões pelo Brasil. Em 2017, voltaram a atuar juntos num concerto especial no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
O reencontro na 50.ª edição da Festa do Avante! surge, assim, como a celebração desta relação artística, num concerto concebido especialmente para esse palco e que promete muitas outras surpresas — um momento raro de maturidade, cumplicidade e plena liberdade criativa.
Pedro Jóia é um dos mais prestigiados guitarristas e compositores portugueses das últimas décadas. A estreia em disco deu-se há precisamente 30 anos, com “Gaudiano”, seguindo-se “Sueste” (1999), “Variações Sobre Carlos Paredes” (2000) e “Jacarandá” (2003). Em 2008, recebeu o Prémio Carlos Paredes com o álbum “À Espera de Armandinho”. Em 2020, volta a receber o mesmo galardão, desta feita com o disco “Zeca”. “Mosaico” (2024) é o seu mais recente trabalho discográfico, pilar da sua presente digressão a solo por Portugal e pelo mundo.
Ao longo da carreira, Pedro Jóia apresentou-se diversas vezes como solista, em dueto ou trio, com várias orquestras e formações de câmara, e colaborou com destacados nomes da música internacional, nomeadamente no Brasil. Em Portugal, acompanhou grandes intérpretes, explorando novas abordagens ao fado tradicional. Desde 2010, faz parte do coletivo Resistência.

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