segunda-feira, 1 de junho de 2026

RÁDIO MACAU ESGOTAM DATAS NO COLISEU DE LISBOA





















Os Rádio Macau já esgotaram a segunda data anunciada no Coliseu dos Recreios, marcada para 30 de setembro, depois de o concerto inicialmente anunciado para 2 de outubro ter esgotado em apenas 48 horas.

Com Lisboa totalmente esgotada, restam agora os últimos bilhetes disponíveis para o concerto único no Coliseu Porto Ageas, agendado para 15 de outubro.

Depois de mais de uma década de pausa, a banda regressa aos palcos com a formação que consolidou uma das discografias mais singulares da música portuguesa, num reencontro muito aguardado pelo público e que confirma a dimensão intergeracional do seu repertório.

Surgidos no contexto da segunda vaga do pop-rock português, os Rádio Macau afirmaram-se desde cedo como um projeto que cruza a tensão do pós-punk com a sofisticação da new wave e uma forte dimensão literária.

Mais do que acompanhar uma tendência, construíram um território próprio, guiado pela palavra e por uma atmosfera urbana em que guitarras e eletrónica dialogam com a experiência quotidiana de Lisboa e dos seus subúrbios.

A voz de Xana, entre o canto e a declamação, tornou-se um dos timbres mais marcantes da música portuguesa. Ao lado de Flak, na guitarra, de Alex Cortez, no baixo, de Filipe Valentim, nos teclados, e de Samuel Palitos, na bateria, a banda desenvolveu uma arquitetura sonora que conheceu sucessivos momentos de afirmação ao longo das décadas de 80 e 90.

O álbum de estreia, Rádio Macau (1984), apresentou temas como “Bom Dia Lisboa” e “A Noite”, fixando uma escrita marcada pela observação urbana e pela introspeção. O reconhecimento mais alargado chegaria com A Vida Num Só Dia (1985), que expandiu o alcance da banda sem diluir a sua identidade. Seguiram-se discos como Spleen (1986), conceptual e atmosférico, e O Elevador da Glória (1987), que inclui “O Anzol”, um dos seus temas mais populares. Já “Amanhã É Sempre Longe Demais”, de O Rapaz do Trapézio Voador (1989), tornou-se outro marco da música portuguesa.

Ao longo das décadas, os Rádio Macau oscilaram entre momentos de maior visibilidade e fases de reinvenção, explorando linguagens eletrónicas e modelos de produção autónomos. Nunca plenamente integrados no mainstream nem confinados ao underground, ocuparam um lugar intermédio e singular na música portuguesa: o de uma banda que fez da melancolia matéria pop e da literatura canção.

O anúncio da reunião dos Rádio Macau para estes concertos surge, por isso, não como um exercício de nostalgia, mas como um reencontro com um repertório intemporal, que continua a atravessar gerações.

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