Nos dias 25 e 26 de setembro de 2026, a Rádio Quântica apresenta a 6ª edição do seu festival comunitário sem fins lucrativos, Ano Q.
Em dois dias, num espaço histórico de Lisboa - Galeria Zé dos Bois - este evento celebra algumas das iterações sonoras mais intrigantes da cena portuguesa, com artistas emergentes ou comunidades tipicamente marginalizadas ao lado de artistas pioneiros mas sub-representados.
Esta edição propõe uma viagem sonora sem pressa, que atravessa geografias e linguagens musicais distintas - de Angola a Braga, do violino exploratório ao jungle mais cru - sempre fiel ao espírito comunitário que define a Rádio Quântica desde a sua fundação.
Na programação, Nazar traz experimentação ao kuduro de origem angolana, cruzando os ritmos de Luanda com electrónica desconstruída, editado pela seminal editora britânica Hyperdub. kilombo kosmico, um projeto de Xullaji e de Peles Negras Máscaras Negras que inclui repertório musical e de spoken word de Xullaji, Prétu e outros numa abordagem mais experimental e expansiva. Helena Silva apresenta o seu violino sónico e exploratório, construindo camadas ambientais e cinematográficas a partir de um instrumento clássico. Isma(el), realizador, vocalista e compositor do coletivo The Blacker The Berry traz afro-futurismo e alma à sua performance especialmente desenhada para o festival. Suzana Francês numa fusão pessoal entre raízes angolanas e cabo-verdianas, em que a sua formação clássica de violino se reinventa com voz e composição de canções. Má Estrela, projeto que junta Pedro Alves Sousa (saxofone tenor e eletrónica), Simão Simões (eletrónica), Bruno Silva (eletrónica), Gabriel Ferrandini (bateria e eletrónica) e Bruna de Moura (baixo elétrico) mistura jazz, dub e electrónica numa proposta hipnótica e ritualística. A dupla LANDA traz-nos um concerto intenso mas intimista, com uma poética muito própria, fazendo encontrar a tradição e a inovação com Cabo Verde e Portugal na sua pulsação. Anrimeal tbcp Ana Alves, natural do Porto, cria e manipula canção folk digital a partir da sua base actual em sul de Londres, recorrendo aos princípios pós-minimalistas de textura, limitação e repetição. Vibrartes, coletivo que junta improvisação musical de géneros tão diferentes como trap, afro, pop e alternativo com saxofone ao vivo. David J Amado, artista multifacetado jamaicano-americano radicado em Lisboa e o rosto do projeto Ballet Para Todos traz ao Ano Q uma performance onde dança e música se cruzam de forma aberta e inclusiva. Mix'Elle, vinda de Braga, traz breaks engenheirados com precisão e linhas de baixo tensas, trabalhadas em décadas na booth e no home studio que a transformaram numa das mais respeitadas veteranas do drum n bass. Para completar, apresentamos um DJ set de Tendency, natural do Porto, conhecido por desconstruir a noção clássica de set ao vivo, com sampling, loops e efeitos em tempo real, num som futurista e minimal que olha sempre em frente.
O ANO Q 2026 reúne uma seleção diversificada de projetos artísticos que desafiam as fronteiras do mainstream através da sua prática. A programação deste festival representa a resistência directa aos eventos que priorizam o lucro - procurando oferecer uma alternativa ao status quo de uma Lisboa cada vez mais gentrificada, onde uma polida padronização cultural imposta de cima ou de fora se tornou a norma.

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