sexta-feira, 10 de julho de 2026

QUASE A ARRANCAR A 10ª EDIÇÃO DO DAR A OUVIR





















Entre 18 de julho e 6 de setembro, o Convento São Francisco recebe a 10.ª edição do Dar a Ouvir. Coorganizado pelo Convento São Francisco/Câmara Municipal de Coimbra e pelo Serviço Educativo do Jazz ao Centro Clube , a iniciativa reúne Fernando Mota, Teatro do Frio, Unloop e Xavier Paes & Inês Tartaruga Água, num programa que volta a desafiar as formas de ouvir, de sentir e de habitar o espaço através das artes sonoras e da criação contemporânea.

O Dar a Ouvir regressa ao Convento São Francisco para assinalar a sua 10.ª edição, de 18 de julho a 6 de setembro, com um programa que reafirma o lugar da escuta enquanto experiência artística, sensorial e crítica.

A programação volta a reunir artistas que trabalham nas fronteiras entre o som, a performance, a instalação, o corpo e a investigação científica, apresentando ao público um conjunto de propostas que expandem a forma como nos relacionamos com o espaço, a matéria e o tempo.

Ao longo de quase dois meses, o Dar a Ouvir apresenta instalações, performances, oficinas e videoarte. Os artistas Fernando Mota, Xavier Paes & Inês Tartaruga Água, e os coletivos Teatro do Frio e Unloop apresentam, nesta edição, obras que colocam a escuta no centro da criação e da experiência coletiva.

Na sua 10.ª edição, o Dar a Ouvir prossegue o percurso conceptual desenvolvido nos últimos anos. Depois de “O Som de Todas as Coisas” e “A Materialidade (e a Consciência) do Som”, o ciclo apresenta agora “Dar a Ouvir: A Montanha e o Micélio”.

Mais do que procurar ouvir a montanha ou a rede micelial - embora Fernando Mota o tenha feito nas gravações de campo usadas em “Até ao Fim do Mundo” e Sara Montalvão e David Negrão (Unloop) pesquisem a riqueza das trocas e das comunicação nos micélios em “Rhîza” -, as obras reunidas nesta edição convidam o público a pensar as relações entre corpos, matéria, tempo e espaço, questionando perspetivas centradas no humano (reconhecendo que o humano deixa de ocupar o centro da experiência) e abrindo espaço para outras formas de compreender o mundo através da escuta.

Um dos destaques desta edição é a presença de Xavier Paes & Inês Tartaruga Água, a quem o Dar a Ouvir deu carta branca para desenvolver uma nova criação, que abre ao público de 21 de agosto a 6 de setembro.. Ao longo de mais de um mês de trabalho, em contexto de residência artística, a dupla cria uma peça para o espaço do Convento São Francisco e apresenta também obras que marcaram o seu percurso recente.. Destaque ainda para a instalação Puro Spirito”, ativada por uma performance no dia 30 de julho, às 18h00, na Sala Sofia, onde vai ficar até 6 de setembro.

A dupla propõe ainda as performances “Berrante” (a 18 de julho, às 18h00, na Antiga Igreja do CSF), “Opus II” (a 5 de setembro, às 18h00, na Antiga Igreja) e “Variações para Piões” (a 6 de setembro, às 17h00, na Black Box). Paralelamente, os artistas conduzem três oficinas (no dia 24 de julho, às 10h30; e a 25 e 26 de julho, às 16h00). Este conjunto de propostas explora as relações entre corpo, espaço, matéria e escuta através da ressonância, do movimento e da transformação de objetos e de arquiteturas em instrumentos sonoros.

Outro dos destaques desta edição é “Rhîza” , instalação interativa do coletivo Unloop, patente entre 18 de julho e 6 de setembro, na Sentina do Convento São Francisco, com uma performance de ativação agendada para dia 18, às 17h00 e às 19h00. Cruzando pensamento artístico, tecnologia, corpo em movimento e investigação científica, desenvolvida na Universidade de Coimbra nas áreas da micologia e da neurociência, a obra convida o público a explorar novas formas de contemplação e de relação com o mundo biológico através da interação. A instalação assinala ainda o culminar de um processo de criação desenvolvido ao longo dos últimos oito meses, em residência artística no Salão Brazil, no âmbito do apoio à criação promovido pelo Jazz ao Centro Clube. Uns dias antes, a 14 de julho, Sara Montalvão promove a oficina “Rhîza: Prática de Corpo”, com entrada gratuita.

Em estreia absoluta, o Teatro do Frio apresenta a criação multidisciplinar “Da Prece ao Techno”. O coletivo de pesquisa, criação e produção teatral do Porto traz ao Dar a Ouvir um espetáculo inédito, a ser apresentado na Black Box do Convento, às 19h00, do dia 31 de julho. A nova criação cruza som, corpo e experiência sensorial, num percurso entre a escuta interior e a celebração coletiva, investigando a ressonância enquanto relação entre corpos, materiais e espaço.

O universo criativo de Fernando Mota vai estar presente com a instalação vídeo “Até ao Fim do Mundo”, de 18 de julho a 6 de setembro, desenvolvida com Mário Melo Costa.A 26 de julho, às 18h00, Fernando Mota apresenta, no palco do Grande Auditório do Convento, o espetáculo homónimo “Até ao Fim do Mundo” é uma criação multidisciplinar que reúne geologia, música, literatura e vídeo para refletir sobre a relação entre o tempo geológico e o tempo humano.

Paralelamente à programação artística, o Dar a Ouvir vai promover ainda um programa convergente de conversas, a decorrer no Salão Brazil, em Coimbra, a anunciar em breve.

Mantendo o seu arranque no Dia Mundial da Escuta (World Listening Day), celebrado a 18 de julho, o Dar a Ouvir apresenta, nesta edição, uma programação distribuída ao longo de quase dois meses. Sem se limitar ao fim de semana de abertura, o programa reforça a aposta na criação artística, nas residências e nos processos de experimentação, afirmando-se como um espaço de desenvolvimento e apresentação de novos projetos.

À semelhança do que tem acontecido nas edições anteriores, a maioria das propostas do programa tem entrada gratuita, sujeita à lotação dos espaços e mediante levantamento de bilhete no próprio dia, na bilheteira do Convento São Francisco (a funcionar diariamente entre as 15h00 e as 20h00). Os bilhetes para o espetáculo “Da Prece ao Techno”, do Teatro do Frio, já estão disponíveis na Ticketline e na bilheteira do Convento São Francisco, com desconto de 40% para Cartões Amigo, além dos descontos habituais.

PROGRAMAÇÃO 2026

14 de julho, terça-feira

18h00 até 19h30 Rhîza: Prática de Corpo

Convento São Francisco - Caixa Palco

Rhîza: Prática de Corpo é um convite ao movimento na Caixa de Palco do Convento São Francisco, dias antes da estreia/inauguração. Uma sessão ao fim da tarde para sentir no corpo o que a instalação traduz em interação visual e sonora, partindo de conceitos científicos sobre processos miceliais e neuronais.
Inscrições para bilheteira@coimbraconvento.pt


18 de julho até 6 de Setembro
em Loop
"Até ao fim do mundo"
de Fernando Mota e Mário Melo Costa / By Fernando Mota e Mário Melo Costa
Convento São Francisco
Entrada livre

Até ao Fim do Mundo é um projeto de criação que cruza a ciência com a arte numa pesquisa que confronta o tempo geológico com o tempo humano, refletindo sobre o papel e relevância da nossa espécie na história da Terra.

A instalação é uma performance musical de Fernando Mota utilizando materiais naturais e o oráculo chinês I Ching para definir estrutura e instrumentação.

Ficha técnica e artística
Uma co-produção Instrumentária Poética Associação Cultural; A Caravana Passa Associação Cultural; Câmara Municipal de Castelo Branco / Fábrica da Criatividade / Cine-Teatro Avenida; Teatro Municipal da Guarda / Município da Guarda; Teatro-Cine de Torres Vedras

Com a parceria de AVISTAVULCÃO; Largo Residências / Jardins do Bombarda; FIMFA Lx26; Câmara Municipal da Lourinhã; Convento de São Francisco - Coimbra Cultura e Congressos; Teatro Municipal de Bragança; CAE de Portalegre; Coffeepaste

Com a colaboração científica de Geopark Naturtejo; Geoparque Oeste; Geoparque Açores; Estrela Geopark

Projeto financiado por República Portuguesa – Cultura I DGARTES – Direção-Geral das Artes

18 de julho, sábado

17h00 e 19h00 RHîZA
18 de julho até 6 de Setembro 15h00 - 20h00 - INSTALAÇÃO
Convento São Francisco - Sentina
Entrada livre

RHÎZA é uma instalação interativa que se apresenta como um objeto artístico que cruza pensamento artístico visual, tecnológico, sonoro e do corpo em movimento com o pensamento científico de grupos de pesquisa relativos a micologia e neurociência da Universidade de Coimbra. Encontrando paralelismos entre os processos orgânicos e a multidisciplinaridade artística, Rhîza procura instigar o pensamento crítico cruzado e a ativação da contemplação do mundo biológico através do sentido de jogo, característica dos projetos do coletivo Unloop. Esta é uma instalação que conta com uma performance inaugural.

RHÎZA é um projeto do coletivo UNLOOP - dirigido por Sara Montalvão (coreógrafa) e David Negrão (artista visual) - que desenvolve, desde 2020, projetos artísticos e de pesquisa inter-disciplinares. O projeto Rhîza conta com o suporte à criação do Jazz ao Centro Clube, no âmbito das linhas de trabalho em torno do interface entre a Arte e a Ciência.

Ficha técnica e artística

Direcção Artística: Unloop Collective (David Negrão, Sara Montalvão)
Criação e Direção Artística / Creation and Artistic Direction: David Negrão, Sara Montalvão
Criação Sonora: Fernando Mota
Produção e Gestão: Sara Montalvão
Gestão Administrativa: Apuro Associação Cultural e Filantrópica
Consultoria Arte-Ciência: Inês Montalvão
Colaboração Científica: Anabela Marisa Azul, Ana Luísa Carvalho, Ana Rita Quadros, Cristina Márquez, Luísa Amado, Luísa Cortes
CNC-UC / CIBB · Universidade de Coimbra
Parceria: Salão Brazil / Jazz ao Centro · Convento São Francisco
Apoio: República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes

18 de julho, sábado

18h00 BERRANTE de XAVIER PAES & INÊS TARTARUGA ÁGUA
Convento São Francisco - Antiga Igreja
Entrada livre

Berrante é uma peça sonora acústica que explora a ressonância e os corpos ressonantes através do uso de postes de madeira e da arquitetura enquanto instrumentos de produção sonora.

Através da percussão e do atrito, estes objetos são ativados como extensões do espaço, fazendo-o vibrar ao serem arrastados pelo chão. A peça desenvolve-se como uma coreografia circular que liga espaço e som num único corpo contínuo, em estado de drone.

As variações de pressão e velocidade introduzem pequenas nuances tímbricas, dando origem a um ambiente sonoro que preenche a sala com a presença de um coro estranho e etéreo. Diferentes vozes parecem mover-se pelo espaço, conduzidas pelos intérpretes que orientam os postes na procura de uma canção contínua, sem início nem fim.

Ficha técnica e artística
Xavier Paes e Inês Tartaruga Água - estacas de madeira

4, 25, 26 Julho, sexta, sábado e domingo

10h30-11h30 e 16h00-17h00 OFICINA PURO SPIRITO
Xavier Paes & Inês Tartaruga Água
Convento São Francisco - Sala Almedina 30 de julho, quinta
18h00 PURO SPIRITO
Xavier Paes & Inês Tartaruga Água
Convento São Francisco - Sala Sofia

“Puro Spirito” é uma peça que investiga a relação entre dança, ar e som, explorando a presença do corpo entre o espaço negativo e o invisível, e a forma como este pode ser ativado pelo movimento. Os intérpretes utilizam assobios DIY como extensões corporais, transformando o ar circundante numa experiência tangível e sensorial, através de uma coreografia intensa desenhada para gerar ritmomento.

26 de julho, domingo

18h00 ATÉ AO FIM DO MUNDO
DE FERNANDO MOTA COM TEXTO DE JOANA BÉRTHOLO E CRIAÇÃO DE MÁRIO MELO COSTA
Convento São Francisco - Palco do Grande Auditório
Entrada livre

"Até ao fim do Mundo", de Fernando Mota, é um projecto colaborativo de pesquisa e criação multidisciplinar que cruza a geologia com a exploração musical e sonora dos elementos naturais, a literatura e o vídeo. Do diálogo entre as várias áreas de criação artística e a ciência e do confronto entre o tempo geológico e o tempo humano resultam um espectáculo, um filme e uma instalação audiovisual. Partindo de vários locais de importância geológica, e colaborando com geólogos de vários geoparques do território português, foi realizada uma reflexão poética e filosófica acerca das várias concepções de tempo de várias culturas ao longo da história, dos tempos de vida dos mais variados organismos vivos do nosso planeta e da relação entre o “nosso” tempo de vida com o conceito mais vasto do tempo profundo.

Ficha técnica e artística

Direção Artística, Criação Musical e Interpretação: Fernando Mota
Texto: Joana Bértholo
Criação Vídeo: Mário Melo Costa
Espaço Cénico e Figurino: Hugo F Matos
Desenho de Luz: Nuno Meira
Apoio no Desenho de Som: José Grossinho
Operação Técnica: César Joaquim
Coordenação e Produção: Xana Libânio
Consultoria de Projeto: Violeta Mandillo
Fotografia e Vídeo de Comunicação: Ricardo Reis
Comunicação: Mónica Jardim

31 de Julho, sexta

DA PRECE AO TECHNO
Teatro do Frio
Convento São Francisco - BlackBox
Bilhetes disponíveis na Ticketline e bilheteira do Convento São Francisco

Da Prece ao Techno é um projeto multidisciplinar que cruza som, corpo e experiência sensorial, propondo um percurso entre a escuta interior e a celebração coletiva. A obra investiga a ressonância enquanto relação entre corpos, materiais e som, e a queda como gesto físico e simbólico — não como falha, mas como abdicação do controlo e abertura a outras formas de presença, movimento e escuta. 

Ficha técnica e artística

Direção Artística: Rodrigo Malvar
Apoio à Criação e Dramaturgia: Catarina Lacerda
Composição e Interpretação: Henrique Apolinário e Rodrigo Malvar
Desenho de Luz: Wilma Moutinho
Desenho de Som: Bernardo Bento
Figurinos: Çal Pfungst
Apoio à Investigação: Filipa Pimentel, Filipe Lopes, Miguel Homem, Rob Hopkins, sussurro
Dispositivo Cénico: Filipe Tootill
Produção: Ana de Sousa Vieira
Comunicação: Ana Rita Marreiros
Produtor: Teatro do Frio
Design Gráfico: Sérgio Couto
Registo Vídeo: Miguel F
Registo Fotográfico: João Quirino
Co-organização: Câmara Municipal de Coimbra / Convento São Francisco no âmbito da programação “Dar a Ouvir. Paisagens Sonoras da Cidade”
Apoio a Residências: CRL — Central Elétrica, Quarteto Contratempus 

Residência artística / Criação da instalação
Xavier Paes & Inês Tartaruga Água
1 a 20 agosto
SEM NOME / EM CRIAÇÃO
Convento São Francisco - Sala Mondego

21 de agosto a 6 de Setembro
15h-20h Instalação Ainda Sem Nome
Xavier Paes & Inês Tartaruga Água
Convento São Francisco - Sala Mondego
Apoio: PELE

5 de Setembro, sábado

18h00 OPUS II
XAVIER PAES & INÊS TARTUGA ÁGUA
Convento São Francisco - Antiga Igreja

Dois intérpretes permanecem ligados por um violino preso ao peito de cada um. O instrumento, partilhado como extensão comum do corpo, é tocado simultaneamente por ambos, enquanto os seus corpos se deslocam em rotações lentas e contínuas.

O som nasce da tensão entre proximidade e desequilíbrio, entre coordenação e perda de controlo, numa coreografia instável em torno de um centro que nunca se fixa.

A peça dissolve-se progressivamente no movimento até ao colapso inevitável: termina no instante em que o violino cai, interrompendo o som e devolvendo o corpo ao silêncio

Ficha técnica e artística

Inês Tartaruga Água e Xavier Paes – violino 2 arcos

6 de Setembro, domingo

17h00 Variações para Piões
XAVIER PAES & INÊS TARTUGA ÁGUA
Convento São Francisco - Antiga Igreja

Variações para Piões é um conjunto de exercícios que parte de jogos tradicionais de piões e do encontro desse corpo em rotação com diferentes materiais.

Na Variação n.º 1, exploram-se as potencialidades sonoras de piões de cerâmica que, devido à sua forma e rotação, produzem assobios com tonalidades específicas. O gesto e a ação tornam-se centrais neste processo. Corpo, matéria e movimento articulam-se numa prática composicional que usa o pião como instrumento sonoro, ocupando e distribuindo-se no espaço em trajetórias aleatórias. Cria-se assim uma dimensão sonora espacializada, onde a escuta atenta e os intervalos de silêncio intensificam momentos de tensão, hipnose e contemplação

Ficha técnica e artística

Inês Tartaruga Água e Xavier Paes – grés e corda

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