segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Os Quais - “Meio Disco” (Amor Fúria)




Os Quais. Quais? Jacinto Lucas Pires, palavras e voz. Tomás Cunha Ferreira, guitarras. Para que “Meio Disco” se torne num disco inteiro são cúmplices principais: Bernardo Barata no baixo, e João Lencastre na bateria.
Começo por esclarecer: “Meio Disco” é uma das rodelas de lazer que mais gozo me tem dado escutar nos últimos dias. É um registo que se cola tão fácil ao nosso corpo e nos aconchega nestes dias mais frios.
Outro esclarecimento: “Um Bife no Chiado” é uma das mais espantosas canções que a música portuguesa conheceu nos últimos anos.
Feitos estes esclarecimentos, já não me podem levar a mal, tudo aquilo que eu por aqui escrever. Foi amor à primeira vista. Ou melhor, ao primeiro ouvido.
Os Quais em “Meio Disco” apresentam-nos meia dúzia de temas, polvilhados por uma pop que espreita em grande parte do tempo o verde e amarelo do Brasil. “Mondriânica” foi gravado em terras de Vera Cruz. Mas apesar disso, temos neste disco, aquele lado bem português, que Jacinto traduz em palavras de uma forma que apenas conhecemos em JP Simões (também ele com meio Brasil dentro do corpo).
Beatles, Caetano, Variações, Prince, Piazzolla e Donato são tragos de música que a dupla bebe para se inspirar. Daí que se perceba de onde vem o lado pop, a alma lusitana, a raiz brasileira, a ala mais tango de faca e alguidar e a guitarra por vezes mais rock.
“Meio Disco” é assim um disco por inteiro. Os Quais são um grupo com uma das melhores estreias a que assistimos nos últimos tempos. Espera-se agora que este encanto não morra atraiçoado por uma qualquer distracção.
Se me disserem que nos últimos tempos lá para os lados da Flor Caveira têm nascido alguns projecto que tal como Os Quais, fazem renascer a vontade de ser português, eu tenho de concordar. Contudo, tenho também que vos dizer (exceptuando se calhar o B Fachada), que Os Quais, jogam noutro campeonato. São canções mais finais. Menos esboço. É uma escrita mais refinada.
Mas sim, a Amor Fúria e a Flor Caveira estão a reescrever a música portuguesa e a faze-la voltar ao tempo em que não se pensava em cantar em inglês para saltar a fronteira. Por isso, temos de lhes tirar o chapéu.
Quanto aos Os Quais, dizer para fechar, que discos como este são obras que nos fazem perceber que ainda vale a pena andar por aqui a divulgar o que se cria por estas bandas.
Venham mais surpresas destas!

Nuno Ávila

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