segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

NOVIDADES DE FILIPE SAMBADO





















© Diana de Sá

Filipe Sambado passou a infância e adolescência de um lado para o outro, e talvez essa errância não seja um mau ponto de partida para percebê-la. Se o seu crescimento é feito a errar dentro de uma fronteira, a sua música desbrava o trilho da intimidade de quem se confessa e da vulnerabilidade de quem viaja.

Era este o parágrafo que abria o texto de apresentação do LP de estreia de Filipe Sambado, Vida Salgada. Ao longo da década que se passou, continua a ser o ponto de partida para a sua apresentação.

O 10º aniversário do disco que serviu de rampa de lançamento para a carreira de Filipe Sambado é comemorado ao vivo no Porto (27 de Março, RCA) e em Lisboa (4 de Abril, Casa Capitão) e com uma reedição em formato físico, em mais uma parceria Revolve/Maternidade.

"Filipe Sambado já tinha editado três EPs a solo e uma data de discos com duas antigas bandas, Cochaise e Chibazqui, além de ter produzido um dos discos portugueses definitivos dos anos 2010 ("Até Morrer", dos Passos em Volta) e desenvolvido uma bonita cumplicidade com O Cão da Morte, Luís Severo, que culminou em "Cara d'Anjo" (2015), quando tivemos a certeza que era uma daquelas artistas que nunca íamos esquecer. Aconteceu em 2016, quando lançou o primeiro álbum em seu nome, "Vida Salgada". A própria deixava-o claro em "Já Não Vou Sair Daqui", última faixa e declaração de intenções: "Eu já não vou sair daqui a bem, a mal ja eu cheguei".

Na altura do lançamento, o Ípsilon desfez-se em elogios ao disco e avisou: "Este ano, não lhe poderemos escapar. Não deveremos". Uma década depois, ainda não lhe escapámos. As canções envelheceram como um bom vinho, as melodias soam eternas, as letras ganharam outra gravidade. Ainda hoje, quando Sambado canta "Já Não Vou Sair Daqui" ao vivo, o público aplaude e junta-se ao coro. Por isso, e porque em 2026 "Vida Salgada" faz dez anos, Filipe Sambado vem à Casa Capitão assinalar a data e cantar as suas canções, da primeira à última, de "Moda" a "Já Não Vou Sair Daqui". E o público, mais uma vez, vai juntar-se ao coro. Vai juntar-se sempre que ela cantar."

- Luís Filipe Rodrigues

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