A artista de Vila Real, emmy Curl, celebra 20 anos de carreira com o lançamento de “Encanto”, o primeiro single do seu novo álbum Pastoral 2.0, com edição prevista para o fim do verão de 2026. O disco surge como uma continuação conceptual do aclamado Pastoral, trabalho distinguido com o Prémio José Afonso em 2025.
Com Pastoral 2.0, emmy Curl revisita e reinterpreta histórias, simbolismos e dialetos de regiões remotas do interior de Portugal. O novo trabalho cruza música, antropologia cultural e uma espécie de abordagem arqueológica, procurando revelar tradições, narrativas e identidades que permanecem muitas vezes esquecidas ou marginalizadas.
“Existe um amor-próprio esquecido pela diversidade dentro da nossa própria cultura”, afirma a cantora, compositora e produtora. “Durante muito tempo houve uma pressão para que todos soássemos como pessoas de Lisboa. Se não falarmos assim, corremos o risco de sermos vistos como menos capazes ou menos sofisticados. Demorou 20 anos na indústria musical até eu finalmente lançar uma canção cantada no dialecto da minha região, Trás-os-Montes. Foi como reencontrar um velho amigo que me tinha feito falta durante muitos anos.”
Um single sobre transformação e memória cultural
O primeiro single, “Encanto”, é interpretado parcialmente em dialecto transmontano e combina instrumentos tradicionais com influências contemporâneas de jazz e fusão. Musicalmente, a canção reflete também a visão do movimento solarpunk, uma corrente cultural que imagina um futuro onde a humanidade vive de forma sustentável, em harmonia com a natureza e com as novas tecnologias.
O videoclipe de “Encanto” foi filmado no verão de 2025, poucos dias após um dos maiores incêndios florestais dos últimos anos na região do Alvão. A paisagem torna-se um poderoso símbolo de destruição e renascimento, explorando contrastes entre pureza e selvagem, tradição e modernidade, natureza e presença humana.
Na narrativa visual, surge a figura simbólica de uma virgem branca, associada à ideia de pureza na tradição católica, segurando uma bilha, objeto ligado historicamente às viagens, encontros e negociações nas aldeias da região de Vila Real. A outra personagem é envolvida por uma Capa de Honra, com cerca de 150 anos, peça pesada de lã castanha e negra chamada burel que representa o orgulho cultural das regiões fronteiriças junto a Espanha e à Galiza, particularmente na zona de Miranda do Douro e também, como forma de dualismo, o patriarcado.
Num ritual simbólico nas montanhas do Alvão, a personagem coloca a bilha sobre uma pedra e inicia um processo de transformação. Num salto de fé, confia na magia das tradições e metamorfoseia-se numa figura inspirada nos Caretos de Podence — personagem colorida, coberta de franjas de lã e chocalhos, que encarna a dimensão pagã, festiva e ancestral das tradições do norte da Península Ibérica.
“Sentia necessidade de mostrar o simbolismo destas regiões antigas do norte e demonstrar que algo novo pode sempre nascer dos rituais antigos”, explica emmy Curl. “Transformar-me da inocência branca num ser pagão colorido aproximou-me da versão de mim própria que existia na infância, antes de tantas camadas sociais moldarem quem somos. Por isso também escolhi cantar no dialecto transmontano, para abraçar plenamente a força e a beleza da região onde cresci.”
Uma homenagem à diversidade cultural
Com Pastoral 2.0, emmy Curl procura destacar a riqueza das culturas regionais portuguesas e incentivar uma redescoberta das raízes culturais e linguísticas do país.
“Acredito que estamos muito mais ligados às nossas raízes do que imaginamos”, afirma. “A diversidade das nossas culturas, dialectos e modos de vida é um verdadeiro tesouro que precisa de ser lembrado. Espero que este novo álbum ajude quem tem curiosidade sobre essas raízes a aprofundar essa procura e a reencontrar o entusiasmo profundo pela vida que elas representam.”
Paralelamente ao lançamento do álbum, emmy Curl prepara também uma nova digressão para Pastoral 2.0, prometendo um espetáculo visualmente mais performativo e ritualístico, com menos eletrónica, reforçando a dimensão simbólica e estética do projeto.
Tour "Pastoral" 2026:
09 Janeiro | Casa da Música | Porto
30 Janeiro | Festival Microsons | Palmela
04 Março | Teatro Maria Matos | Lisboa (Participação concerto Frankie Chavez)
12 Março | A Música Dá Trabalho | Paredes
25 Abril | Abril Febril | Porto
03 Maio | Sonoridades - Centro Cultural Municipal | Vila das Aves
07 Maio | B. Leza | Lisboa (Participação concerto Rossana)
08 Maio | A anunciar
09 Maio | O Canto das Mulheres - CC César Oliveira | Oliveira do Hospital
22 Maio | Teatro Sá da Bandeira | Santarém
11 Junho | Primavera Sound | Porto
20 Junho | A anunciar
26 Julho | A anunciar
13 Agosto | A anunciar
25 Setembro | Casa da Música Jorge Peixinho | Montijo
02 Outubro | A anunciar
23 Outubro | A anunciar
13 Novembro | A anunciar
(agenda em atualização)
* A nova música de emmy Curl - incluindo o mais recente Pastoral - não está disponível no Spotify por decisão da artista, pelo que este novo single é possível ser ouvido através das rádios, nas restantes plataformas de streaming de música, no YouTube e BandCamp da artista.
As razões são explicadas pela própria numa comunicação que fez nas suas redes sociais.
Sobre emmy Curl:
Catarina Miranda, nascida em Vila Real de Trás-os-Montes, em 1990, é uma cantora, artista visual, produtora e compositora. Atua sob o nome artístico emmy Curl e foi uma das primeiras mulheres produtoras de música em Portugal, tendo começado o seu trabalho artístico apenas com 15 anos, usando o Myspace para mostrar os seus primeiros trabalhos. Desde aí, tem lançado vários álbuns e EPs durante a carreira que conta agora com vinte anos.
“Pastoral”, o mais recente álbum editado em 2024 pela Cuca Monga, e que integrou várias listas dos melhores discos do ano, é uma homenagem à herança cultural do folclore português, uma celebração de coragem e amor em tempos difíceis. Este disco venceu o Prémio José Afonso em 2025, um prémio que visa homenagear o cantautor que lhe dá nome e é atribuído anualmente, distinguindo álbuns musicais que tenham como referência a Cultura, História, Língua e Música Popular Portuguesa e que já foi atribuído a artistas como Fausto, Sérgio Godinho, Jorge Palma, A Garota Não, entre outros.
Em 2025 participou no Festival da Canção com a sua própria composição “Rapsódia de paz” interpretada pela própria - uma canção que segue a mesma linha do álbum Pastoral de 2024 e que chegou à final do Festival.
Em 2026 celebra 20 anos de carreira e prepara-se para editar "Pastoral 2.0".
As razões são explicadas pela própria numa comunicação que fez nas suas redes sociais.
Sobre emmy Curl:
Catarina Miranda, nascida em Vila Real de Trás-os-Montes, em 1990, é uma cantora, artista visual, produtora e compositora. Atua sob o nome artístico emmy Curl e foi uma das primeiras mulheres produtoras de música em Portugal, tendo começado o seu trabalho artístico apenas com 15 anos, usando o Myspace para mostrar os seus primeiros trabalhos. Desde aí, tem lançado vários álbuns e EPs durante a carreira que conta agora com vinte anos.
“Pastoral”, o mais recente álbum editado em 2024 pela Cuca Monga, e que integrou várias listas dos melhores discos do ano, é uma homenagem à herança cultural do folclore português, uma celebração de coragem e amor em tempos difíceis. Este disco venceu o Prémio José Afonso em 2025, um prémio que visa homenagear o cantautor que lhe dá nome e é atribuído anualmente, distinguindo álbuns musicais que tenham como referência a Cultura, História, Língua e Música Popular Portuguesa e que já foi atribuído a artistas como Fausto, Sérgio Godinho, Jorge Palma, A Garota Não, entre outros.
Em 2025 participou no Festival da Canção com a sua própria composição “Rapsódia de paz” interpretada pela própria - uma canção que segue a mesma linha do álbum Pastoral de 2024 e que chegou à final do Festival.
Em 2026 celebra 20 anos de carreira e prepara-se para editar "Pastoral 2.0".

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