DOMINGO 5 ABRIL / 19H
VIBORA ← Foscø ← Hetta
Matiné de post-hardcore oriundo de três cantos distintos da Península Ibérica.
VIBORA, do País Basco, apresentará o seu novo LP, “Egin ez dugun Guztia” (“Tudo o que não fizemos”) e, com ele, som intenso, visceral e carregado de emoção.
Foscø, de Elx, encontrou o seu som único na mistura do post-rock com o hardcore punk, rock progressivo e pop. Em digressão pela Europa, trazem-nos o seu novo LP, "TRES ESTACAS".
Hetta, do Montijo, opera no espaço tenso entre o caos e o controlo, a urgência e a melodia, na intersecção entre o post-hardcore, o sasscore, o hardcore, o screamo e o rock com influências noise.
SÁBADO 11 ABRIL / 22H
Waahsabi x ZDB: New Candys ← Lesma
Ao quinto álbum, os New Candys voltam a provar que são uma das mais consistentes bandas de rock da Europa. Em "The Uncanny Extravaganza", Fernando Nuti, Dario Lucchesi, Emanuele Zanardo e Francesco Giacomin, inserem tons que lembram o pós-punk britânico da década de 70 e o krautrock germânico do mesmo período na sua veia habitual de psicadelismo. Se revelam algo no seu novo disco, é a sua capacidade metronómica de fazerem música de dança à sua maneira sem deixarem para trás o seu ethos.
As Lesma são um power-trio sintro-margem sulense, que funde o espírito riot girl com diferentes géneros musicais. Leonor (guitarra, voz), Beatriz (bateria, voz) e Rita (baixo) fazem barulho para as pessoas dançarem, cantarem e partirem tudo até mais não.
SÁBADO 18 ABRIL / 22H
RP Boo ← Vampiro
Tantas vezes citado como pioneiro da subcultura incandescente do footwork, Kavain Wayne Space deu o corpo à dança, mas encontrou-se plenamente na magia da mistura e na arte da produção sonora. Encontrou no alter ego RP Boo um canal aberto para a militância, sim, mas também para a exploração. Álbuns como "Legacy" ou "Established!" reúnem temas-bala numa celebração pura de ritmo, repetição e delírio. Na última passagem por cá, algures em 2022, deixou clara a estamina que reina nas suas atuações. Sem pruridos nem enganos, é uma força maior do nosso tempo.
De Lisboa e do Coletivo Lenha, os sets do Vampiro são como reviver uma house party em Baltimore em 2005, do ponto de vista de quem nunca esteve em Baltimore mas viu The Wire.
TERÇA 21 ABRIL / 21H
Eliana Glass ← Pedro Branco
Cantigas dolorosas, esperançosas, sobre crescer, viver, morrer. Na voz de Eliana Glass - artista australiana radicada em Nova Iorque - cabe uma vida de dores inteira, cabe a alegria de viver ao lado da nossa família e amigos. Estes são os sentimentos que povoam "E", portento álbum de estreia, onde um chamber jazz meio que moribundo ecoa grandes vozes do passado como Nina Simone, Julee Cruise ou Annette Peacock.
Pedro Branco é um guitarrista que se mexe tanto na área da música improvisada como na área da canção autoral. Apresentará material novo quase na totalidade para ver como se comporta no mundo real.
QUINTA 23 ABRIL / 21H
feeo ← Inês Condeço
Numa linhagem nebulosa que se traça sem grande linearidade da narcose low key de "Nearly God" de Tricky por via dos momentos mais vaporosos de Kate Bush em "Aerial" até à esfera de Mica Levi ou da soul descarnada de Niecy Blues, as canções do último álbum de feeo, "Goodness", partem de um minimalismo instrumental feito de pequenas nuances melódicas e texturais, suavemente levantadas de sintetizadores ambientais, acordes dolentes de guitarra ou piano e percussão subliminar, para suster uma voz branda na entrega mas tocante na expressão.
Inês Condeço tem vindo a desenvolver um percurso independente onde explora sonoridades e ambientes próprios no universo da música eletrónica, ambient e experimental, utilizando piano, voz e sintetizadores. Apresentará temas do seu novo álbum, “The Space Between Birds”, que será lançado em Abril.
TERÇA 28 ABRIL / 21H
Giovanni Di Domenico & Tatsuhisa Yamamoto ← Manuel Mota
Giovanni Di Domenico tem regressado ao palco da ZDB pontualmente. Numa dessas investidas, a triangulação entre a guitarra de Norberto Lobo, o piano de Domenico e a bateria de Tatsuhisa Yamamoto resultou numa existência perene em ‘In ZDB’ pela three:four em 2015. Desenrolada mais de uma década desde então, a cumplicidade entre o pianista e multi-instrumentalista italiano e o baterista japonês tem sido nutrida em diversas frentes, em conclave com nomes como Jim O’Rourke ou Eiko Ishibashi. Currículos plenos que se cruzam numa rede tão densa quanto meritória e que em duo nos ofereceram já o hipnótico "Mokusatsu" na Matière Mémoire.
Mais do que um explorador da guitarra no seu sentido mais formal e asséptico, Manuel Mota é um apaixonado pelo instrumento cujo estudo minucioso em torno das suas características se revela sempre pleno de lirismo. Com a tradição mais romântica e poeirenta dos blues a assombrar o seu trabalho, Mota é uma das figuras de proa do improviso em solo europeu, e um dos guitarristas mais vitais das últimas duas décadas em qualquer lado.

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