Carlos Peninha apresenta "Chão Ardente", segundo volume de trilogia dedicada à poesia lusófona
O músico e compositor Carlos Peninha prepara o lançamento de "Chão Ardente", o segundo capítulo de uma trilogia iniciada em 2017 com o álbum Tocar o Chão. Este projeto discográfico reafirma a premissa de explorar a intersecção entre a música original e a poesia de língua portuguesa, expandindo o horizonte geográfico e temático da sua obra.
"Chão Ardente" é estruturado como um ensaio sobre a atualidade, utilizando a música como veículo de reflexão crítica. O fio condutor da obra sublinha o declínio da liberdade e da paz no mundo contemporâneo, denunciando o crescente desprezo pelos valores humanistas — tanto em cenários globais como na esfera local. Através da seleção de poemas intemporais e de letras originais, o projeto coloca em evidência o debate sobre a ética e a dignidade humana.
A componente lírica do álbum integra textos da autoria de Carlos Peninha e uma curadoria que atravessa as fronteiras da Lusofonia. Entre as escolhas poéticas, destacam-se nomes da literatura com raízes no distrito de Viseu, nomeadamente António Quadros e Luís Veiga Leitão, que coabitam com influências literárias de diversos territórios lusófonos, incluindo Portugal e África.
Musicalmente, a obra apresenta uma sonoridade eclética que funde a música tradicional portuguesa com o Jazz, integrando ainda elementos das tradições árabe e africana. Esta amálgama de "músicas do mundo" confere ao álbum uma riqueza rítmica e melódica multicultural.
O projeto reúne um conjunto notável de intérpretes e músicos. A componente vocal conta com as participações de: Uxía Senlle (Galiza), Zeca Medeiros (Açores), Sara Figueiredo e Luísa Vieira. A estes juntam-se instrumentistas convidados que elevam a complexidade técnica e expressiva desta obra, consolidando o percurso de Carlos Peninha na exploração da palavra cantada.
Natural de Viseu, Carlos Peninha consolidou-se como uma figura central na cena musical portuguesa, conciliando as vertentes de compositor, multi-instrumentista e pedagogo. Com formação em Jazz e música clássica, o músico foi cofundador do Quinteto Jazz de Viseu nos anos 80, e mantém, até hoje, o seu próprio Quinteto.
A sua trajetória é marcada por uma colaboração profícua com o Trigo Limpo Teatro ACERT, onde assinou direções musicais e composições para diversas produções e intercâmbios internacionais. Ao longo de três décadas, acumulou participações em gravações com nomes como José Medeiros e Luís Pastor.
Atualmente, Peninha divide a sua atividade entre o ensino e a apresentação ao vivo dos projetos "Tocar o Chão" e o seu Quinteto jazzístico, reafirmando a sua herança cultural viseense no panorama global das plataformas digitais.
Discografia:
2017: Lançamento do CD Tocar o Chão.
2019: Edição de Ponto de Vista (Apoio Viseu Cultura) e conquista do prémio Mérito Artístico Animarte.
2021: Lançamento de Dispersos, uma antologia de 30 anos de carreira.
2023: Edição de Tudo começa agora, projeto que funde um quinteto de jazz com um quarteto de cordas.

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