Esta semana a ATR volta a juntar-se à Nariz Entupido para apresentar Suspensão Voluntária da Descrença, evento de dois dias que irá decorrer na quarta e quinta-feira (17 e 18 de Junho) às 22h no Damas com concertos da violoncelista portuguesa Bruna de Moura (membra de URTIQA e Má Estrela, entre outros) e de Ar Ker e We Use Cookies (projectos a solo dos músicos franceses Seb Brun e Simon Henocq dos Parquet) no primeiro dia; e da artista sonora argentina Luciana Rizzo (com o seu solo de feedbacks em bateria híbrida), da Criptobanda Musical de Paradela do Rio (orquestra de um homem só de David Ole da Favela Discos) e de Mantle of Gets (novo pseudónimo do músico britânico-lisboeta Luke Williams, anteriormente conhecido por Quinoline Yellow e Tatamax) no segundo dia! (+ info em baixo e aqui)
E no sábado (20 de Junho) os terapeutas do ruído (e membros dos dSCi) Boris dos Bosques e Desmarques vão estar a tocar a solo nas Fritarias de Verão, 5ª edição deste ciclo de música exploratória com curadoria da harpista e artista sonora portuense Frederica Vieira Campos, que desta feita estará a acontecer em modo mini-festival em dois espaços na zona de Campanhã (Porto): entre as 16h e as 20h30 na Terra Solta e entre as 21h e as 2h no i o d o; e que incluirá diversas actuações e dj sets, tudo muito bem acompanhado pelo projecto gastronómico Paradoxo! (+ info aqui)
Entretanto Boris dos Bosques estará a tocar em Viseu na quinta-feira (18 de Junho) por ocasião da 6ª edição do “Solstício: Arte a Três Tons”, festival de artes da ESEV, onde o terapeuta do ruído também vai estar a participar numa exposição colectiva e onde haverá uma conversa sobre BD com José Smith Vargas, habitual colaborador da ATR! (+ info aqui)
E entretanto já está disponível o álbum homónimo de estreia dos TURBOANX, power-trio de noise-rock do terapeuta do ruído (e membro dos dSCi) Diogo Vouga com os músicos Anton Obrazeena (dos Jars, P/O Massacre e Canários Mortos) e Leonardo Janeiro (dos Erosão e Quebra)! O álbum, editado em cassete numa parceria com a Rotten \ Fresh e a School of the Arts, pode ser escutado e encomendado no bandcamp do grupo!
17 e 18 de Junho | quarta e quinta-feira | 22h
We Use Cookies (fr)
Ar Ker (fr)
Bruna de Moura (pt)
Mantle of Gets (uk/pt)
Criptobanda Musical de Paradela do Rio (pt)
Luciana Rizzo (ar)
Suspensão Voluntária da Descrença - Damas
Rua da Voz do Operário, 60 - Lisboa
entrada diária: 6 euros
‘Suspensão Voluntária da Descrença’, mais do que título para organização conjunta de duas noites, nas Damas, da responsabilidade da Associação Terapêutica do Ruído e da Nariz Entupido é a reafirmação de vontades comuns.
Já são alguns os concertos entre as duas associações. Mas, o que a nós importa realçar, sem vaidade ou qualquer pretenciosismo, é esta crença cega na possibilidade de um imaginar colectivo. Pensamento partilhado. Acção comum.
E assim, nos propomos a dose dupla, com concertos de Bruna de Moura, Ar Ker e We Use Cookies no dia 17 de Junho e de Luciana Rizzo, Criptobanda Musical de Paradela do Rio e Mantle of Gets no dia 18 de Junho.
WE USE COOKIES | Solo electrónico de Simon Henocq, We Use Cookies molda uma realidade sonora ao mesmo tempo áspera e cativante. O som torna-se uma matéria-prima viva e indomável, explorando as tensões entre o caos e o controlo, as pulsações de electro-noise e as rupturas radicais.
Com uma fisicalidade impressionante, os sons brutos, orgânicos e industriais entrelaçam-se com a exigência da arte acusmática. As camadas sonoras constroem-se, desconstroem-se e dissolvem-se diante dos nossos olhos. A música torna-se uma linguagem física e instintiva, mergulhando o ouvinte numa experiência sensorial intensa na fronteira entre o som e a matéria.
Músico, produtor e artista sonoro, Simon Henocq é também co-fundador do coletivo Coax. Os sons crus, provenientes dos ambientes industriais que marcaram o seu percurso atípico, alimentam a sua imaginação e permeiam profundamente as suas criações.
AR KER | Ker é um prefixo regional que significa ‘local fortificado’, ‘castelo’, ‘cidadela’, depois ‘aldeia’ e, por fim, ’habitação’ — uma viagem entre o xamanismo e a música electrónica mais intensa.
O projecto de Ar Ker é fruto de um processo de composição solitário, recorre a uma forma de recuo — espacial, mental e emocional — para dar origem a uma música de contrastes, estruturada em duas partes: o Lado A, lento e contido, construído sobre equilíbrios frágeis de ressonância, textura e controlo; o Lado B, mais directo e percussivo, impulsionado pela urgência do gesto e pela intensidade da saturação.
A abordagem é concreta, mas narrativa, baseada em lógicas de sobreposição, desconstrução rítmica e manipulação da duração. A bateria não é aqui um instrumento de marcação do tempo, mas sim um gerador de tensão — física, dinâmica e perceptiva. A interpretação exige um envolvimento corporal total e rejeita o automatismo em favor do confronto directo.
Ar
Ker pode ser entendido como uma estrutura de experimentação: um campo
fechado com geometria mutável, onde os estados sonoros são continuamente
testados e remodelados. Cada peça é concebida como uma
microarquitectura — marcada por contrastes de densidade, disjunções
temporais e rupturas no fluxo de energia.
MANTLE OF GETS | Luke Williams [SKAM Records] volta a enfrentar o vazio no lançamento de música e o desafio dos espectáculos ao vivo, ao vermo-lo abandonar o pseudónimo composto por corantes não azóicos de outrora [Quinoline Yellow] e seguir em frente com o seu novo nome artístico, Mantle of Gets. Com raízes que vão do norte de Londres ao coração do País de Gales, vemos-o agora a abandonar o Reino Unido para se estabelecer na acolhedora Lisboa.
O seu novo trabalho, ‘Mantle of Gets’, transita entre espaços generativos e abstracções abrasivas, medidas precisas e pulsos melódicos velados. No primeiro trimestre de 2021, foi lançada uma cassete concebida por Bhatoptics pela Schematic Music Company, uma das principais editoras de Miami, e registaram-se mais participações especiais na plataforma de streaming esotérica da SKAM Records, a AMKS Live.
É possível explorar as gravações do seu catálogo anterior, sob os nomes Quinoline Yellow e Tatamax, através da conceituada editora de Manchester SKAM Records, da londrina Touchin’ Bass e da sua própria editora, a Uchelfa Recordings. Entre os destaques das suas atuações ao vivo contam-se a já famosa Lighthouse Party da Warp Records, inúmeras festas e festivais da SKAM por toda a Europa e uma digressão pelo Japão há já algum tempo.
CRIPTOBANDA MUSICAL DE PARADELA DO RIO | Ainda a dar os primeiros passos, a Criptobanda Musical de Paradela do Rio surgiu do querer das gentes de Paradela, onde tem sede. Esta cassete, gravada no coração do Bairro da Barragem de Paradela, inclui 9 peças exclusivamente compostas para a instituição, e apresenta o resultado do primeiro ano de trabalho sob a direcção musical de David Ole. As composições inspiram-se na história e quotidiano da aldeia, cujo carácter tradicional tem vindo a ser desfigurado ao longo da história: desde as pilhagens e a ocupação por tropas francesas no século XIX, passando pela chegada de milhares de trabalhadores para a construção da barragem na década de 1950, ao posterior êxodo rural massivo e, mais recentemente, à fixação de um grupo de músicos, artistas e pensadores que procuram redefinir o seu lugar no mapa cultural contemporâneo. A Criptobanda Musical de Paradela do Rio promove a aceleração efectiva deste longo processo de submissão e erosão da identidade de Paradela, actuando como agente catalisador da sua transformação social, cultural e económica. A sua prática musical centra-se na doutrina Neoharmónica: uma estética em que a tensão e instabilidade se prolongam no tempo, subvertidas por uma lógica de saturação e dispersão que recusa centros e retornos, abolindo a estabilidade prometida pelo acorde dominante, pilar estrutural da música tonal que encena uma ilusão de regresso, de pertença e de lar. A música contida nesta cassete desconstrói radicalmente a tradição popular da música para bandas, dissolvendo-a em texturas instáveis e movimentos erráticos derivados da manipulação e distorção do espectro sonoro.
LUCIANA RIZZO | Artista sonora, música e performer. Vive e trabalha em Buenos Aires. Estudou Composição com Meios Electroacústicos na Universidad Nacional de Quilmes. Como baterista desde os 16 anos, encontrou seu lugar na experimentação e na improvisação. Tocou em diversos projectos colectivos e, paralelamente, começou a desenvolver um solo set baseado em baterias híbridas, samples, gravações de campo e microfonias, que transita entre canções, ambientes e improvisações. É integrante do Club del Gamelán, um ensemble que interpreta repertório de Bali, Indonésia. Nos últimos anos, dedica-se à produção de documentários sonoros e peças radiofónicas.

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