Edição original de 1984. Reeditado pela Holuzam em 2026
Lançamento a 19 de Junho em vinil e digital. Vinil replica a edição original com uma serigrafia de António Palolo. É um poster, com imagem em ambos os lados, com grandes proporções (69.7cm x 62.30 cm) e dobrado para caberem os dois LPs. Os inserts também são serigrafados.
O duplo álbum Off Off foi, em 1984, expressão precoce da edição independente de música em Portugal. Tal circuito era pura e simplesmente inexistente, 10 anos após o 25 de Abril, tudo ainda meio a aprender como se fazia o resto para além da música e a ganhar coragem ou propósito para o fazer. Num percurso de conflito e desencanto com a cena musical (popular tanto quanto erudita), de insistência baseada na crença do valor da música que produziam, Jorge Lima Barreto e Vítor Rua decidem nesse ano financiar, gravar, produzir, editar e vender um álbum com total independência em relação a estruturas externas.
Num período em que António Palolo era praticamente o terceiro elemento do grupo, o seu trabalho com a capa ganhou uma espécie de estatuto de equivalência com a música, ou seja, pretendeu-se um objecto-disco que representasse o espectro de interesses e interacções do Telectu. Serigrafia XL executada no atelier de António Inverno, com dobras e cortes complicados para poder conter no interior os dois discos. Inspiração nas capas da série Gramme do GRM, discos com curadoria de François Bayle e que se encontravam em Lisboa na livraria Buchholz.
Off Off, dividido em quatro partes com títulos identificativos, mostrava as diferentes plataformas nas quais a música de JLB e VR evoluía: performance ("Diagonale"), concerto ("Anarké"), teatro ("Cornucópia") e vídeo ("Palolo"). Nas notas de capa, o grupo encorajava a utilização da sua música em situações particulares por quem assim o desejasse. Concretizado, o álbum permanece como o documento mais completo das actividades do Telectu, ao mesmo tempo também manifesto de intenções (basta ler o texto incluso) e portfolio de apresentação.
Foi objecto único na cena musical, respeitado por certa crítica (pelo menos a que teve publicação na imprensa + o apoio do Som da Frente na Rádio Comercial) mas largamente incompreendido no mundo real, 500 exemplares para o mercado, com certeza nem todos vendidos mas, ainda assim, de acordo com Vítor Rua, o único disco em que Telectu ganharam algum dinheiro. Com o avanço dos anos, depois décadas, foi submergido com aura de culto, reapareceu incompleto uma única vez em CD com edição Ananana que a ele juntou Belzebu.
Refaz-se então o objecto em 2026, labor demorado de acerto na remasterização do som (António Duarte e Taylor Deupree), acerto nas cores para reprodução fiel da serigrafia original (Gonçalo Duarte e Hugo Soares, no estúdio Ruína), depois dobrada e cortada a preceito; capas interiores também serigrafadas e diferentes do original apenas no papel que não se desintegra.
Flur
Holuzam

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