segunda-feira, 29 de junho de 2026

NA ZDB EM JULHO





















SEXTA 3 JULHO / 22H
Gabriele Mitelli ‘Three Tsuru Origami’ & Rodrigo Amado ← Gabriel Valtchev, Marija Kovačević, Paula Sánchez

A música do trio de Gabriele Mitelli é uma viagem ao âmago da improvisação, onde o jazz volta a ser uma aposta — uma prática ousada em que a tomada de riscos é fundamental para o progresso. Os companheiros de banda de Mitelli são dois grandes músicos ingleses, para quem o ruído e a rebeldia são um modo de vida: o baixista John Edwards e o baterista Mark Sanders. Para este concerto, o trio convida Rodrigo Amado naquilo que será uma estreia absoluta. Há aqui um mundo inteiro por descobrir.

Gabriel Valtchev, percussionista, baterista e improvisador, desenvolve a sua identidade artística nos domínios da música contemporânea, da música tradicional dos Balcãs e da música improvisada/alternativa. 

A violinista Marija Kovačević dedica-se à música clássica, experimental e improvisada. O seu projeto «Music for Broken Violins» é uma exploração de texturas sonoras com violinos partidos, arcos e os seus fragmentos. 

Situado na intersecção entre a música experimental, a improvisação livre e a arte performativa, o trabalho de Paula Sánchez centra-se na composição/descomposição de um espaço sonoro mutável. Trabalha com materiais como plástico, vidro e elementos da natureza, combinados com a voz e a eletrónica.

George Silver & Gold 'Ave Rara' ← Scorpions ← Paixão

Das figuras mais activas e incansáveis a agitar as águas neste país, André Neves tem vindo continuamente a experimentar com know how, deslumbramento e um sentido pleno de diversão e crença toda uma série de formas e linhagens históricas para as encarreirar numa personalidade muito sua e que tem novo patamar de afirmação com o recém-editado ‘Ave Rara’. Álbum grande no tamanho e no espectro, ‘Ave Rara’ vai mapeando os impulsos e obsessões de Silver, contando com uma vasta rede de colaboradores ao abrigo de Gold. Na impossibilidade de contar com todo o elenco de Gold para a celebração, Silver apresenta-se nesta ocasião com Puçanga e Bertrand tcp Menino da Mãe.

Scorpions do Barreiro é uma formação meio mutante que foi crescendo a partir do núcleo duro formado em 2017 por Vítor Lopes e Jaime Norberto, contando hoje habitualmente com Sara Zita, Tiago Franco e Diogo Vaz. Vivem no momento em que a jam se descorta das suas premissas tacanhas e assume o desconhecido, em linha de contacto com explorações de Jackie-O Motherfucker, NNCK, Excepter ou a Vibracathedral Orchestra em deambulações onde convivem vestígios da kösmische, tácticas dub, improvisação não idiomática, “jazz” e do paisagismo post-rock mais crú.

Fluido, pulsante e sonhador são algumas das palavras-chave que definem o som de Paixão. Explorador incansável de paisagens sonoras psicadélicas, constrói repertórios sem olhar a géneros, contando uma história que cruza elementos dub e explorações texturais.

QUARTA 15 JULHO / 21H 
Luís Vicente 4tet ‘Spirits Moving’ ← Gonçalo Feijão & António Martins

Após passagem pelo Aquário em 2021, Luís Vicente traz novamente o seu 4tet a casa, já com a formação cristalizada que gravou para a Clean Feed ‘House in the Valley’ em 2023, para apresentar ‘Spirits Moving’. Coadjuvado pelo saxofonista John Dikeman, pelo baterista Onno Govaert e pelo contrabaixista Luke Stewart, tudo gente de rodagem constante no mapa do jazz e da improvisação e camaradas do trompetista em várias das suas andanças, Vicente tem em ‘Spirits Moving’ mais um tomo significativo de uma obra em constante expansão que não dá grandes mostras de cessar.

Gonçalo Feijão e António Duarte Martins apresentam um encontro em duo entre improvisação livre e tradição portuguesa. Gonçalo Feijão, contrabaixista e compositor português, prepara o lançamento de Thyra, o seu álbum de estreia, enquanto António Duarte Martins, guitarrista com um percurso bem assente na tradição do Fado, desenvolve atualmente o seu primeiro disco em nome próprio. Os dois músicos cruzam linguagens distintas aproximando o universo do fado ao da criação improvisada.

SÁBADO 25 JULHO / 22H
ACID ACID ‘The Radio Under The Stars’ ← Afonso Sêrro

Enquanto Acid Acid, Tiago Castro anda por aí há cerca de dez anos. Como voz da rádio, conhecemo-lo há muito mais tempo. Depois de em 2020 ter editado Jodorowsky, Acid Acid está de volta com The Radio Under The Stars. The Radio Under The Stars pode-se ouvir de várias formas, ora tanto é um disco psicadélico, como um de ambient que se constrói através de texturas rock, que lembram algum Spiritualized de meados dos 1990s. Também se pode ouvir como uma mixtape, em que várias melodias se vão colando em construção do momento ideal.

Afonso Sêrro iniciou o seu percurso musical com estudos de piano clássico e mais tarde dedicou-se ao jazz de forma informal. Na ZDB, apresentará o seu álbum de estreia a solo, editado pela Ovo Estrelado Records, Piano Impromptus. Resultado de um isolamento de alguns dias na Casa do Piano para captar uns improvisos, este disco, nas palavras de Afonso Sêrro "inicia um percurso musical muito diferente do que andei a fazer até agora. Um percurso a solo, totalmente livre. O que farei depois disto?”

SEXTA 31 JULHO / 22H
Colectivo Casa Amarela x ZDB:
Jejum #43 c/ bela + Vomir

Artista de origem sul-coreana, assente entre Berlim e Praga, bela opera num complexo e cativante espaço de transformação. Entre visões e invocações, o ancestral e o visionário, o ruído e o silêncio, explora as múltiplas interseções possíveis entre estas aparentes dicotomias. Um dos melhores segredos deste ano chama-se Korean Love Sonnets. Documento sonoro intensamente vívido, centrado na voz, propõe um conjunto de mantras guturais, som em estado bruto e outras fantasias psicotrópicas envoltas em lava quente e fumegante.


O francês Romain Perrot, também conhecido como Vomir, dedica há mais de duas décadas a sua atividade ao êxtase do imaginário europeu da música extrema. Visão que viria a materializar no seu Manifesto do Muro Brutalista. Enquanto epicentro filosófico do harsh noise wall, a sua indagação da matéria sonora mais bruta parece invariavelmente sedenta por ir mais longe. Minimalista, saturado e volumoso, o seu trabalho gera uma sensação de sucção quase física. Apesar da agrestidade da obra, encontra-se uma estranha dimensão contemplativa, até meditativa, no coração do mais puro caos.

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