terça-feira, 25 de agosto de 2026

BENJAMIM EDITA NOVO ÁLBUM “CRÓNICAS DO MONTE ZEUS” A 18 DE SETEMBRO















Benjamim edita no próximo dia 18 de Setembro o seu novo álbum, "Crónicas do Monte Zeus", o seu quinto álbum de estúdio, composto por oito canções originais que marcam o regresso assumido à palavra e à forma-canção de um dos mais singulares e surpreendentes escritores de canções da música portuguesa contemporânea.

Depois do percurso distinto de As Berlengas, Benjamim regressa aqui a um território mais depurado, onde a escrita, a melodia e a clareza da composição ocupam o centro. Os singles de antecipação, "Recursos Humanos" e "Os Dias do Nada", deram desde logo a medida deste novo ciclo, que se revela num conjunto de canções onde a actualidade, o amor e o trabalho se entrelaçam em histórias de transformação, desgaste, resistência e sobrevivência.

Um álbum que se revela, no seu todo, como um disco de amor. Um trabalho onde o amor surge menos como ideal abstracto e mais como prática quotidiana de construção, esforço, reparação e permanência. Ao longo destas oito canções, Benjamim desenha uma geografia afectiva feita de falhas, recomeços, medo, devoção, desgaste e desejo de permanecer.

Essa dimensão é também sublinhada no texto editorial* assinado por Hugo Van der Ding, que acompanha o lançamento e lê o disco como um lugar onde música, trabalho e amor se cruzam de forma íntima e profundamente humana. Essa leitura ajuda a iluminar o centro de "Crónicas do Monte Zeus": um conjunto de canções onde o amor não surge desligado do mundo, mas inscrito nas suas rotinas, tensões, fragilidades e formas de resistência.

Nas próprias letras, esse universo afirma-se com clareza. Em "Amor Operário", faixa que acompanha o lançamento do álbum, o amor aparece como prontidão, empenho, labor e liberdade, tornando-se uma chave evidente para a leitura de todo o disco. Em "O Fim da Greve", esse mesmo campo semântico ganha uma dimensão ainda mais concreta num dueto com Lena d'Água, onde a linguagem laboral se transforma em matéria íntima e afectiva. Em "Viver, Viver e Amar", a resistência abre-se a uma forma de entrega mais luminosa, onde amar é também insistir, aceitar e partilhar o tempo. Mesmo nas canções em que o desencanto, a ansiedade ou a desorientação surgem com maior nitidez, há sempre qualquer coisa que procura recompor-se, reparar-se, salvar-se.

Benjamim constrói assim um mapa sentimental em que aquilo que destrói e aquilo que conserta muitas vezes coincide. É nesse ponto de tensão entre lucidez e ternura, entre observação do presente e pulsação íntima, que o disco encontra a sua maior força.

Se As Berlengas era um disco marcado por um trabalho quase solitário e por uma construção fortemente apoiada em máquinas, sintetizadores e artifícios de estúdio, "Crónicas do Monte Zeus" faz o movimento inverso: traz as pessoas para dentro das canções. Também aí a ideia de trabalho ganha novo sentido. Este é um disco de recursos humanos no sentido mais literal e mais afectivo da expressão - um disco povoado por músicos, vozes, amigos e cumplicidades, onde a presença física de quem toca se torna parte essencial da sua identidade.

Produzido por João Correia e Benjamim, este é também o primeiro disco em que Benjamim convida alguém a partilhar consigo a produção, o que torna particularmente relevante o papel de João Correia na definição do som do álbum. Gravado e misturado por ambos no Submarino, com gravações adicionais em Alvito, e masterizado por Nelson Carvalho, o disco assume um processo de construção deliberadamente mais directo, mais próximo e menos polido. As bases foram gravadas ao vivo com um gravador de fita de 8 pistas, e essa opção técnica faz parte da própria identidade do álbum: ouve-se a fita, ouve-se a respiração da sala, ouve-se até o gravador a parar. Num tempo dominado pela eficiência, pela velocidade e por formas cada vez mais artificiais de produção, "Crónicas do Monte Zeus" escolhe uma espécie de intimidade imperfeita, humana e frontal, em absoluta sintonia com a escrita das canções.

À autoria de Benjamim juntam-se contributos que alargam e adensam o universo do disco, entre os quais o dueto com Lena d'Água em "O Fim da Greve", um solo de guitarra de Bruno Pernadas em "Os Dias do Nada", e a participação de José Soares no saxofone em "Recursos Humanos", "O Fim da Greve" e "Cola Quente". Nuno Lucas e Manuel Pinheiro assumem o comando do baixo e das percussões, respectivamente. Ao longo do álbum, várias canções contam ainda com a participação, nos coros, de artistas e amigos que reforçam a dimensão colectiva deste trabalho: António Vasconcelos Dias, Raquel Pimpão, Rita Cortezão, Inês Sousa, Joana Campelo, Margarida Campelo, Tipo e Francisca Cortesão.

Editado pelos Discos Submarinos, "Crónicas do Monte Zeus" confirma Benjamim como um autor único, capaz de transformar a experiência quotidiana em canções de grande densidade humana. Mais do que um novo capítulo na sua discografia, este é um disco que reafirma o amadurecimento inequívoco da sua escrita e uma capacidade rara de encontrar, no meio do ruído do mundo, uma forma clara, directa e profundamente comovente de cantar o amor.

*Desliguei-me das coisas que nos enchem os dias para ouvir o novo trabalho do Benjamim. E escolho escrever 'trabalho' e não álbum, ou disco ou canções, porque nelas ouve-se justamente o trabalho. O trabalho de compor música e o ofício de escrever palavras que a sustentem. O trabalho de insistir quando o mundo nos empurra para uma velocidade incompatível com aquilo que demora, ou quando só nos apetece puxar o lençol para cima da cabeça e dizer: hoje não vou trabalhar. E depois há outra construção. Há operários no amor, há andaimes, há quedas que podiam ter sido fatais. E há uma espécie de redenção nestas coisas, a Música, o Trabalho, o Amor. Coisas maiúsculas que nestas canções também podem ser minúsculas, a música, o trabalho, o amor. Porque o amor de que aqui se fala não é diferente do amor pelas outras coisas que fazemos, que tentamos, que repetimos. Dêem mais ou menos trabalho.

Há palavras concretas nestas canções, entre greves e recursos humanos, saídas de um mundo de esforço e de desgaste, mas que vão revelando que o amor se constrói aí, nesse território onde se insiste, onde se falha e onde se recomeça. Há o medo de perder e há também esse gesto mais simples e mais raro de viver, viver e amar. E depois, cola quente, para remendar o que se vai partindo. No fundo, uma viagem entre aquilo que nos destrói e o que nos conserta que, muitas vezes, é exactamente a mesma coisa. Volto às coisas que nos enchem os dias. O mundo não está melhor. Mas que bom quando a música nos lembra que sim, é sempre o amor que nos salva. E o amor, claro, dá muito trabalho.

- Hugo Van der Ding

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