sexta-feira, 18 de setembro de 2026

CRISTINA CLARA LANÇA "NOVO CREDO", UMA PROVOCAÇÃO SOBRE TUDO O QUE UM TAMBOR CONVOCA


Fotografia: Ana Viotti

Após 'Bonança', um dueto com António Zambujo, e uma tour internacional com concertos no Brasil, Bulgária e Suíça, a artista lança o tema 'Novo Credo' e anuncia o segundo disco de estúdio, com apresentação ao vivo no Teatro São Luiz, em Lisboa, no dia 3 de novembro.

'Novo Credo' é o mais recente tema de Cristina Clara, já disponível em todas as plataformas digitais. Como uma irónica promessa de modernidade, o novo tema questiona e provoca o ouvinte. Quando se substitui um tambor é apenas um som que se perde? Valerá ainda a pena "o esforço e sangue" dos tocadores? Lançado em antecipação ao segundo álbum de estúdio, agendado para o próximo dia 23 de outubro com o apoio da RTP Antena 1, o novo single foi escrito por Edu Mundo, com música da autoria do próprio, em parceria com Daniel Pereira Cristo.

"Os novos "tambores electrónicos" surgem aqui anunciados como uma espécie de promessa salvífica, numa alegada rivalidade com os tambores tradicionais e tudo o que lhes está associado - desde a construção artesanal dos instrumentos ao cheiro das peles, até ao peso de os transportar ou à experiência comunitária de tocar em grupo. Fica a questão: afinal o que se perde é apenas um dado som ou tudo aquilo que leva até ele?", explica Cristina Clara.

Na pulsação do tema reconhece-se a chula portuguesa e uma menção subtil ao maracatu brasileiro, dois universos em que o tambor está ligado ao corpo e à experiência coletiva. O arranjo responde precisamente à ironia da letra: à medida que o tema se desenvolve vão surgindo elementos - como personagens da história que se vão juntando ao cortejo - até os tambores ganharem espaço e acabarem por tomar o seu lugar central no tema.

"Novo Credo" inscreve-se naturalmente no percurso de Cristina Clara: a tradição não como exercício de nostalgia, mas como matéria viva a partir da qual se pode criar e refletir sobre o presente.

"Nesse dia voltei a casa de outra forma. Procurei na memória o cheiro do giz e das sebentas, dos tapetes de flores e dos tambores em dia de procissão. Ficava na primeira linha da multidão, a milímetros dos bombos, com os olhos a brilhar. Era o meu ato de fé em dia de procissão…uma espécie de novo credo que se acrescentava: a crença de que, ficando bem perto da pele dos tambores a vibrar, também em mim se acordava uma vida a mais", revela Cristina Clara.

Com novo álbum disponível a 23 de outubro, a artista Cristina Clara anuncia as primeiras apresentações ao vivo a 3 de novembro na Sala Bernardo Sassetti no Teatro São Luiz (bilhetes já à venda) e a 28 de novembro no Teatro Narciso Ferreira em Riba d’Ave, concelho de Vila Nova de Famalicão, escolhido por ser o lugar de onde a artista é natural. 

Cantora e autora com um percurso centrado na criação, interpretação e reconfiguração de repertórios ligados às canções de tradição oral e urbana de Portugal, do Brasil e de Cabo Verde, Cristina Clara tem vindo a afirmar uma linguagem artística própria, assente nesse diálogo entre as origens e a contemporaneidade. Desenvolveu a formação em voz, canto e interpretação teatral no espaço Evoé, em Lisboa. A ligação ao Teatro, com a interpretação do papel de uma fadista em contexto cénico, esteve na origem de um convite para cantar no Café Luso, que marcou o inicio da sua atividade profissional como intérprete.

Em 2021, lançou o primeiro álbum, "Lua Adversa", que articula Fado e Choro. O disco, distinguido pela Antena 1, contou com o apoio do Museu do Fado e teve distribuição digital pela Sony Music. Em 2024, foi uma das autoras convidadas do Festival da Canção, da RTP, onde chegou à final com a canção 'Primavera', cuja letra é da sua autoria e a música do compositor cabo-verdiano Jon Luz. No mesmo ano, foi selecionada para showcase oficial na WOMEX, em Manchester e, em 2025, nomeada para o Upbeat New Talent Award.

Desde então, tem apresentado o seu trabalho em palcos nacionais e internacionais, entre os quais Teatro da Trindade, Centro Cultural de Belém (no ciclo Há Fado no Cais), Festival Santa Casa Alfama, Festival Jardins do Marquês, Centre des Arts Pluriels (Luxemburgo), Casa de Portugal (São Paulo, Brasil), AME (Cabo Verde), Festival MED (Portugal), Festival Glatt & Verkehr (Áustria) ou Antwerp Spring Festival (Bélgica).

É uma das artistas fundadoras da Roda de Percussão Ibérica, um coletivo de vozes e percussão tradicional, criado por músicos de 6 nacionalidades que se encontram em Lisboa.

Paralelamente à sua atividade artística, desenvolve ações de mediação sob a forma de masterclasses e workshops dedicados às canções tradicionais portuguesas, relacionando-as com práticas de percussão de mão, historicamente associadas ao universo feminino. 

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