quarta-feira, 26 de agosto de 2026

ÁGORA REVELA PROGRAMAÇÃO


O ÁGORA regressa ao Castelo de Leiria, entre 18 e 20 de setembro, para uma nova edição que cruza música, artes performativas, instalação e património. Depois do anúncio dos primeiros nomes, o programa fica agora completo com novas propostas que ampliam o olhar sobre as diferentes formas de criar, escutar e habitar este lugar.

Durante três dias, o Castelo transforma-se num espaço de encontro entre artistas, público e património. Entre muralhas, cisternas, varandas e outros lugares do monumento, o ÁGORA propõe uma programação que convida a abrandar e a olhar de outra forma para aquilo que nos rodeia.

Mais do que ocupar o Castelo, o ÁGORA procura ativar o espaço através da criação artística. Um lugar que durante séculos foi pensado para proteger e separar pode hoje tornar-se um território de proximidade, partilha e imaginação. A música, a palavra, o corpo e a matéria tornam-se formas de criar novas relações com este património.

Novos artistas e novas criações

A programação recebe agora Djali Binto Kanuté, nascida na Guiné-Bissau, que traz consigo uma herança musical profundamente ligada aos djidius, os cantores tradicionais da sua terra. Entre tradição e contemporaneidade, a sua voz estabelece uma ligação com a memória e a força da música da África Ocidental, numa presença que leva ao Castelo de Leiria uma cultura musical marcada pela oralidade e pela transmissão entre gerações.

O ciclo Antiprincesas chega também ao ÁGORA com a história de Juana Azurduy, mulher-mãe-guerreira de origem indígena que participou nas lutas pela independência da Bolívia. O espetáculo recupera a figura de uma mulher valente, determinada e gentil, que enfrentou batalhas e desafiou as convenções do seu tempo. Uma história que questiona as figuras femininas que a História escolheu recordar e aquelas que ficaram esquecidas.

Nas cisternas do Castelo será apresentada Until Nothing Falls, Gravity Waits, uma instalação de Carincur + João Pedro Fonseca. Partindo de uma pedra suspensa, a obra explora as relações entre matéria, gravidade e perceção. A pedra, tradicionalmente associada à construção e ao limite, é retirada da sua função habitual e colocada num estado de suspensão, criando um diálogo entre peso e leveza, matéria e vazio.

Estas novas propostas juntam-se aos artistas já anunciados, entre os quais Asmâa Hamzaoui & Bnat Timbouktou, Israa Shalaby, Margaret Hermant, PAUS, Rita Silva & Mbye Ebrima, Manto Azul e el djinn الجن. Um conjunto de projetos que atravessa diferentes geografias, linguagens e formas de criação, mantendo como ponto comum a relação entre música, memória, corpo, território e comunidade.

Um programa para estar, ouvir e partilhar

Para além da programação artística, o ÁGORA propõe momentos de encontro que convidam o público a participar de forma mais direta.

É o caso de Partir Pão, Partir Pedra, um piquenique comunitário que acontece nas Varandas do Castelo de Leiria e que abre o primeiro dia do festival. A proposta é simples: cada pessoa traz pão, petiscos, fruta, bebidas ou qualquer outro alimento para partilhar numa mesa comum. Um gesto quotidiano que ganha outra dimensão dentro das muralhas. Partilhar comida é também partilhar tempo, histórias e espaço. É uma forma de criar comunidade e de transformar o património num lugar vivido, onde todos podem deixar uma marca.

Ao longo dos três dias, o ÁGORA propõe assim diferentes ritmos e formas de participação. Há espaço para a contemplação e para a celebração, para a escuta e para o movimento, para a experiência individual e para o encontro coletivo.

Se durante séculos as muralhas foram construídas para definir fronteiras, o ÁGORA propõe olhar para elas de outra maneira: como lugares onde é possível construir pontes. Talvez seja essa uma das funções da cultura: criar condições para estarmos juntos, para escutarmos outras vozes e para imaginarmos futuros diferentes.

Tal como nas edições anteriores, o bilhete habitual do Castelo de Leiria garante o acesso às atividades do ÁGORA, estando a entrada condicionada à lotação dos diferentes espaços. O acesso ao Castelo é gratuito para residentes no concelho de Leiria, mediante apresentação de comprovativo de morada e identificação.

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