Alice Boavista apresenta “Vindima”, novo single que antecipa a edição de “Boa Nova”, o seu EP de estreia em nome próprio, agendado para 26 de setembro. Depois de “Boa Nova”, “Beija-Flor” e “Canto da Janela”, a cantora, compositora e multi-instrumentista natural de Marco de Canaveses revela uma nova canção ligada às tradições do Minho e Douro Litoral, recuperando a vindima enquanto prática comunitária e espaço de encontro.
“Vindima” desenvolve uma narrativa alegre e descritiva em torno do processo tradicional da apanha da uva na região do Vinho Verde. A canção recupera um contexto em que as videiras se desenvolviam em bardos e ramadas e em que a vindima mobilizava a comunidade envolvente, reunida nas quintas para a colheita e para a posterior pisa das uvas nos lagares.
Ao acompanhar as diferentes etapas desse percurso, Alice Boavista olha para a vindima não apenas enquanto trabalho agrícola, mas também enquanto momento de convivência. A reunião de diferentes pessoas em torno de uma tarefa comum transforma-se num espaço de proximidade e celebração, prolongando na canção uma dimensão comunitária que atravessa igualmente o futuro EP.
É a partir desse cenário que “Vindima” desenvolve uma segunda narrativa. Entre a apanha das uvas, a participação coletiva e os momentos de convívio, a descrição do processo acaba por desembocar poeticamente numa história de início de namoro. A dimensão amorosa surge assim no interior de um retrato mais amplo de uma prática onde trabalho, festa e relações humanas coexistem.
A instrumentação reforça a ligação da canção a esse universo. Alice Boavista assume a voz, a primeira viola amarantina e as tracanholas, acompanhada por Eduardo Kosta na segunda viola amarantina e Cláudia Oliveira na terceira. Sebastião Antunes participa na voz e na guitarra, numa formação que coloca instrumentos associados à tradição no centro da construção do tema.
“Vindima” é o quarto avanço de “Boa Nova”, depois da faixa homónima, “Beija-Flor” e “Canto da Janela”. Ao longo das cinco canções que integram o EP, Alice Boavista estabelece um diálogo entre música tradicional portuguesa e criação autoral contemporânea, trabalhando ideias relacionadas com memória, pertença, transmissão e identidade.
Se “Boa Nova” parte da saudade e do desejo de regresso a um lugar que permanece na memória, “Beija-Flor” constrói um universo imaginário em torno de uma sociedade de flores ao ritmo do côco brasileiro. Já “Canto da Janela” aproxima diretamente o trabalho da tradição oral portuguesa, entrelaçando “Ó meu amor tira a roupa”, recolhida do Rancho Folclórico de Santo Isidoro, em Marco de Canaveses, com as melodias da Beira Baixa “Cravo Roxo” e “Cantiga Bailada”. O alinhamento completa-se com “Quietude do Momento”, composição de Alice Boavista a partir de um poema de Alcino Vieira.
“Boa Nova”, com edição marcada para 26 de setembro, será a primeira edição discográfica da artista enquanto autora e intérprete a solo. Produzido por Alice Boavista, o trabalho reúne músicos convidados como Ana Laíns e Sebastião Antunes e percorre diferentes referências e instrumentos, do piano à viola amarantina e de Portugal ao Brasil, mantendo como ponto de encontro a relação entre tradição e criação contemporânea.
As gravações do EP decorreram em janeiro de 2026 no I Am Studio, de Artur Martins, e na EMA, em Coimbra. A mistura e masterização ficaram a cargo de Ricardo Ferreira, com fotografia de Miguel Teixeira e arte gráfica de Isabel Sixel.
Nascida em 2001, em Marco de Canaveses, Alice Boavista é cantora, pianista, maestrina, percussionista, arranjadora, compositora e multi-instrumentista. Formou-se em Direção, Teoria e Formação Musical na Universidade de Aveiro, depois de estudar no Conservatório do Vale de Sousa, e tem desenvolvido um percurso ligado à música tradicional portuguesa, à criação contemporânea e à prática coral.
Foi maestrina do Coro de Santa Joana entre 2021 e 2025 e toca viola amarantina desde 2023. Atualmente integra o Quarteto Nota do Meio como pianista, é cofundadora do duo Marca D’Água e do projeto Gomo de Tangerina, integra o grupo CRUA e participa como coralista no Zêzere Arts Vocal Ensemble.
Com “Vindima”, Alice Boavista apresenta a última antecipação de “Boa Nova” antes da chegada do EP a 26 de setembro, colocando uma prática coletiva ligada ao território no centro de uma canção onde tradição, comunidade e uma história de amor se encontram.

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