segunda-feira, 31 de agosto de 2026

MÁRIO PACHECO CELEBRA A OBRA DE UMA VIDA COM UM CONCERTO ÚNICO NO CCB A 17 DE DEZEMBRO COM ORQUESTRA E CONVIDADOS DE EXCEPÇÃO





















Há compositores que escrevem canções e há compositores que acabam por escrever a memória de um país. Mário Pacheco pertence ao segundo grupo. A 17 de dezembro, o Centro Cultural de Belém recebe "A Música de Mário Pacheco", um concerto irrepetível em que décadas de guitarra portuguesa e de composição fadista ganham a dimensão de uma orquestra, dirigida pelo maestro João Defesa, com direcção musical de Diogo Clemente. Mário Pacheco, à guitarra portuguesa, será acompanhado por Jaques Morelenbaum, em participação muito especial, e os convidados João Barradas, Ricardo Toscano e Fernando Dalcin.

Poucos percursos atravessam de forma tão completa a história recente do fado. Filho do guitarrista António Pacheco, Mário Pacheco cresceu dentro da tradição e cedo fez da guitarra portuguesa, o instrumento que, nas suas palavras, "mais expressivamente define o fado", a sua principal forma de expressão. Estudou afincadamente os grandes mestres, Armandinho, Carlos Paredes e Fontes Rocha, e construiu a partir daí um estilo inconfundível, que o levou a acompanhar Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Max, Fernando Maurício, Beatriz da Conceição, Maria da Fé, Vicente da Câmara, Paulo de Carvalho, Mísia, Camané, Cuca Roseta, Mariza e Carlos do Carmo.

Depois veio a composição, e com ela a certeza de que aquelas melodias iriam sobreviver a quem as escreveu. Carlos do Carmo, Mariza, Camané, Carminho, Sara Correia, Cuca Roseta, Mísia, Ana Sofia Varela, Rodrigo Costa Félix, Joana Amendoeira, Jorge Fernando, Paulo Bragança ou Paulo de Carvalho cantaram músicas suas. Atravessaram gerações, palcos e fronteiras e tornaram-se parte do património afectivo de quem escuta a música portuguesa no mundo.

O reconhecimento acompanhou o percurso. Mário Pacheco recebeu o Prémio Amália Rodrigues de Melhor Compositor, o Prémio Songlines "Top of the World Album", a Medalha Municipal de Mérito, Grau Ouro, da Câmara Municipal de Lisboa e foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Participou no filme "Fados", de Carlos Saura, editou três álbuns, "Um Outro Olhar" (1992), "A Música e a Guitarra" e "Livre" (2020), e criou em Alfama, junto à Sé, o Clube de Fado, casa de referência do género durante 25 anos.

No CCB, essa obra regressa às mãos de quem a escreveu, agora vestida pela força e pela delicadeza de uma orquestra e rodeada por músicos que fazem parte do seu universo mais próximo.

Jaques Morelenbaum é uma das figuras maiores da música brasileira das últimas décadas. Violoncelista, arranjador, maestro e produtor, integrou a Nova Banda que acompanhou Antonio Carlos Jobim ao vivo e em gravações que valeram um Grammy, dirigiu musicalmente Caetano Veloso e trabalhou com Gal Costa, Marisa Monte e Ryuichi Sakamoto, com quem gravou "Casa", homenagem a Jobim registada na casa do próprio compositor. Foi também convidado do álbum "Livre".

João Barradas é hoje considerado um dos mais importantes acordeonistas do mundo. Começou a estudar acordeão aos seis anos e, aos nove, entrou directamente para o segundo ano do Curso Oficial do Conservatório Nacional, que concluiu com a nota máxima. Move-se com igual naturalidade entre a música erudita e o jazz, e leva o instrumento a contextos onde raramente se ouve. Já tinha gravado com Mário Pacheco em "Livre".

Ricardo Toscano é uma das vozes mais reconhecidas do jazz português da nova geração. O saxofone alto é o seu instrumento e o seu quarteto tem sido um dos projectos mais consistentes da cena nacional. Tal como João Barradas, cruzou caminho com Mário Pacheco em "Livre".

Fernando Dalcin é bandolinista brasileiro radicado em Portugal e um dos maiores conhecedores da tradição do choro. Nascido em São Paulo, cresceu nas rodas de choro da cidade e ficou conhecido pelo projecto "Jacob do Bandolim, Outras Composições", em que apresentou obras inéditas do mestre do bandolim, tocadas numa réplica do instrumento que Jacob usou durante quase toda a carreira.

"A minha vida é o Fado, o meu mundo é a Música e o meu desejo é ser Livre", escreveu Mário Pacheco. A 17 de dezembro, no CCB, essas três coisas acontecem ao mesmo tempo. Mais do que um concerto, será um encontro com a música que já faz parte da vida de todos nós.

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