“Um xerife sem pistola, um condado imaginário e um pedido muito pequeno: “fica mais um bocado.” Há xerifes que entram numa vila para impor a lei. Este vendeu a pistola”. – diz André Matos.
Chama-se “Xerife” e é o primeiro single do álbum de estreia a solo do músico português, abrindo um novo capítulo de uma história musical que, na verdade, começou há muitos anos.
Em “Xerife”, André Matos veste a pele de uma espécie de anti-herói de western: tem o distintivo, tem o condado, tem estrelas para contar — mas pouco manda e ainda menos quer mandar.
Por trás da personagem está uma ideia bastante menos cinematográfica e bastante mais humana: alguém que gostaria apenas que outra pessoa ficasse mais um bocado.
O xerife acaba, assim, por ser quase o contrário daquilo que o nome promete. Não conquista, não prende, não dispara. É um bobo da vila com alguma coisa de inocente, de desprendido: alguém que, entre o fracasso e a alegria, prefere continuar a dançar.
“Xerife” é também a primeira porta aberta para um disco que demorou vários anos a sair de casa.
André Matos escreve canções desde a adolescência. Fez-se músico entre guitarras, ensaios, bandas — dos Skeezos aos Gato Bombaim — e noites a tocar em bares. Durante muitos anos, fez música sem fazer muito barulho.
Agora, prepara o primeiro álbum em nome próprio; não propriamente porque tenha encontrado a altura certa, mas porque entendeu que a altura certa é uma invenção perigosa para quem tem coisas por fazer. “Xerife” é o primeiro passo.
O álbum seguirá esse mesmo território: personagens um pouco tortas, amores que não sabem comportar-se, humor, contradição, destino, guerra interior e a estranha comédia de continuar vivo enquanto o tempo vai fazendo o seu trabalho.
Oiça “Xerife”.

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