TERÇA 6 OUTUBRO / 21H00
Maya Ongaku ← Cume
Traduzida como ‘música’ em japonês, Ongaku serviu de carapuça para os avanços do mítico Group Ongaku na criação de uma música verdadeiramente livre e exploratória em solo nipónico. Sem entrar pela improvisação livre e pelo radicalismo desses pioneiros, este trio traça a sua Ongaku já volvidos uns anos desde essa abertura com a aparição do folk rock lisérgico dos Happy End de Haruomi Hosono que viria a fundar em 1978 a Yellow Magic Orchestra.
Com uma colaboração que une Clemente e Santos Dias, parceiros há 20 anos, à visão exploratória de Jorge Nuno, guitarrista reconhecido na música improvisada, Cume marca a sua primeira aventura conjunta. O álbum, editado em novembro de 2024 pela Profound Whatever, revela um ambiente rico e imersivo, onde movimentos e texturas se desdobram em constante mutação.
SEXTA 9 OUTUBRO / 22H
Living Room x ZDB: mu tate ← Violet
Partindo das heranças documentais e musicais da sua família, grande parte do trabalho de mu tate gravita em torno da ideia de resgate temporal, cruzando-a com a matéria sonora que diariamente nos rodeia, muitas vezes sem sequer nos apercebermos. Life of mu, editado em abril passado, revela desde logo uma paleta alargada de dinâmicas, num estado híbrido com beats dissimulados, integrados numa já habitual viagem aquosa cuja capacidade de surpreender permanece intacta.
Na sua cidade natal, Lisboa, Violet é uma figura multifacetada no panorama da música electrónica, contribuindo para a cena local sob vários ângulos. Como cofundadora da estação de rádio online Rádio Quântica, residente no Planeta Manas – o principal espaço DIY de Lisboa – e na rave queer mina, o seu trabalho representa uma expressão ponderada da história política da dance music, transmitida tanto através da sua voz como da sua música.
SÁBADO 10 OUTUBRO / 22H
Heroína apresenta Heroína ← Iguanas ← Prado
Banda de aparição fulgurante, Heroína carrega no nome um sentido de bravura, perfeitamente alinhado com as intenções mais viscerais e as promessas por cumprir em torno do quadrado voz-guitarra-baixo-bateria. Heroína, editado pela Cafetra Records, trata de acertar passo aos dias de hoje, como quem pega fogo aos alicerces estóicos do passado, para se atirar com fé ao vazio que daí resta, para uma outra vida.
Iguanas é o duo de Leonardo Bindilatti e Lourenço Crespo – amigos da vida inteira e co-fundadores da Cafetra Records. Depois de crescerem juntos entre bandas, salas de ensaio e quartos improvisados como estúdios, decidiram em 2010 largar o formato rock tradicional e experimentar outras maneiras de fazer música
Prado surge de uma vontade coletiva de exteriorizar a raiva gerada pelo desenrolar do presente e pelas feridas do passado. Através de guitarras irrequietas, ritmos retumbantes e vozes rasgadas, partilham as suas vivências, traumas e esperanças.
QUINTA 15 OUTUBRO / 21H
Alex Zhang Hungtai ← Belaflor
Regresso deste velho comparsa de vivências nesta cidade, de uma outra Lisboa, onde viveu, amigou e criou durante uma passagem relativamente breve mas que deixou marca no seu percurso e que, na sua trajectória nomádica desde então, tem sido poiso para visitas espaçadas. Desta feita, a aparição dá-se numa altura bem prolífera para o músico de origem Taiwanesa, com dois álbuns lançados já este ano: Dras na Shelter Press e o duplo Orion/Mother na American Dreams.
Belaflor inspira-se em arte sacra, corpos dissidentes, e em esperança. A libertação da carne pela amplificação e circuitos elétricos. Instrumental, sem voz, apenas ondas sonoras. Entre Trás-os-Montes e Coimbra, desde 2023.
SÁBADO 17 OUTUBRO / 22H
Alpha Maid ← Polido
Alpha Maid surgiu em finais da década passada, associada ao Curl – colectivo e editora de Mica Levi, Coby Sey e Brother May – e tem editado com alguma regularidade desde então, em nome próprio e colaborações. O mais recente álbum, Is this a queue, do ano passado, tem um carácter híbrido, fruto de ter sido gravado ao longo de vários anos, com uma coerência entre temas algo ausente, mas uma clara identidade de saber fazer e de onde quer chegar.
Polido é um músico natural da Marinha Grande. A partir de uma abordagem materialista do som, num eixo que cruza a história da música e os fenómenos sociopolíticos, o seu trabalho constrói narrativas surreais para espaços concretos. O experiencial funde-se com o referencial, com gravações pessoais e material de origem remodelados e processados através de técnicas de amostragem e efeitos sonoros.
TERÇA 20 OUTUBRO
Curbside Lambsear ← Anaís
Duo composto por Magdalena McLean (caroline) e Annabelle Mödlinger (DJ e apresentadora de Roadkill Ikebana na NTS), as Curbside Lambsear
é um belíssimo manual de música a acontecer e por acontecer. Os princípios vêm do folk, na procura da construção de uma sensibilidade melódica que depois se completa com loops que criam texturas simples e completam os espaços de uma música que se constrói à custa de fragmentos. A voz cruza caminhos com várias memórias.
Entre palavras e acordes, entre o dia e a noite, entre a casa e o meio da rua, Anaís mais uma vez apresenta-se a tocar canções vindas de momentos, sejam observações de fração de segundo ou de conversas entre amigos. Traz consigo músicas novas e novos amigos.
SEXTA 23 OUTUBRO / 22H
Heith & Tarawangsawelas ← Jardín
Enquanto Heith tem reorganizado tropes downtempo/trip-hop, ambiências herdeiras da ECM, memórias difusas e uma aura de misticismo impossível de situar. A quilómetros e vivências de distância, e com um álbum muito recomendável na Morphine de Rabih Beaini – Wanci -, Tarawangsawelas tem reavivado o legado da música sagrada Tarawangsa, de Java Ocidental, em gestos minimalistas e hipnóticos. Desse alinhamento cósmicos e de sensibilidades, surge Duori, numa evocação feérica multicultural, entre a miragem urbana e os templos de Bandung.
No seu trabalho, Raúl Jardín explora a sonoridade da vida quotidiana, criando composições que evocam gravações de campo e paisagens sonoras situadas entre o real e o imaginário locomotivas, combates de naves espaciais, martelos, submarinos em navegação ou transmissões de rádio interrompidas. Como artista a solo, destaca-se também na criação de música para dança, teatro e ópera.

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