sexta-feira, 4 de setembro de 2026

GONÇALO GUINÉ MOSTRA COMO A MÚSICA DÁ TRABALHO





















Depois de dez semanas de criação, experimentação artística e descoberta, o Programa Educativo de Verão da Blue House chega ao fim com 300 inscrições. Desenvolvido, pelo primeiro ano, em dois núcleos, o programa que, até 11 de setembro, propõe oficinas de base artística a crianças dos 6 aos 12 anos, encerrará no Epicentro, no dia 12, com duas sessões dedicadas às crianças.

Durante o verão, a Blue House voltou a transformar as férias escolares num espaço de encontro com as artes, com um programa dirigido a crianças dos 6 aos 12 anos que, ao longo de dez semanas, propôs experiências de criação e descoberta através da intersecção de diferentes linguagens artísticas.

Desenvolvido, nesta edição, em dois núcleos, um em articulação com a Escola Superior Agrária de Coimbra e outro através de um projeto piloto promovido pela Junta de Freguesia de Eiras e São Paulo de Frades, o Programa assume um compromisso com a descentralização da educação de base artística, aproximando-se de diferentes comunidades e trabalhando a expressão artística enquanto expressão de identidade e de comunidade.

Nestas oficinas, as crianças foram convidadas a observar, construir, brincar e refletir através de propostas orientadas por artistas, criadores e mediadores culturais.

Rita Sousa (Maré), João Tarrafa, Cláudio Vidal, Catarina Parente, Filipe Furtado, Íris Faria, Manon Capelline e Bruno Lucas, Iúri Oliveira, Rute Silva e João Marques foram os artistas envolvidos nesta edição, desenvolvendo propostas que valorizam o processo criativo e a ludicidade.

Música, teatro, movimento, fotografia, artes visuais, palavra e outras formas de expressão artística cruzaram-se com ao longo destas semanas para promover a sensibilidade estética, o pensamento crítico e a capacidade de resolução de problemas

A par do trabalho dos artistas, o reforço da equipa que acompanha diariamente as crianças assumiu uma dimensão central nesta edição. Educadores, monitores, artistas e mediadores trabalharam em conjunto para criar experiências significativas, memórias e afectos que perduram para lá de cada semana de atividades.

O trabalho continua no Epicentro

O encerramento das Oficinas de Verão não representa o fim do trabalho educativo desenvolvido pela Blue House. No próximo dia 12 de setembro, o Epicentro, iniciativa que encerra a programação do Verão a Dois Tempos, recebe duas sessões especialmente dedicadas às crianças, às 09h30 e às 11h30, numa colaboração entre a Blue House e o Serviço Educativo do Jazz ao Centro Clube (JACC). A participação é sujeita a inscrição prévia.

É neste contexto que se apresenta A Música Dá Trabalho + Gonçalo Guiné, uma proposta que cruza educação, música e criação artística e que dá continuidade ao trabalho desenvolvido ao longo do ano pelo Serviço Educativo do JACC. Promovidas pela Omnichord, as oficinas A Música Dá Trabalho aproximam crianças e jovens das múltiplas profissões que existem no universo da música, revelando os processos criativos, técnicos e humanos que estão por detrás da construção de um espetáculo e de uma carreira artística. Através de atividades práticas, momentos de descoberta e contacto com profissionais do setor, o projeto promove a literacia cultural e musical, estimulando a curiosidade, a criatividade e o pensamento crítico.

A colaboração com Gonçalo Guiné, rapper e beatmaker com um percurso ligado à cultura hip-hop na região Centro, parte precisamente deste território de encontro entre educação e criação. Na sequência do trabalho desenvolvido nas oficinas, o artista apresenta uma proposta construída a partir do diálogo entre os processos educativos e a criação artística, aproximando as crianças dos diferentes elementos que compõem a sua prática musical.

Depois da passagem por projetos como A Resistência e Velha Capital, da edição do EP Arquivos de um Confinamento e do álbum Vida num Loop, Gonçalo Guiné apresenta-se acompanhado por Filipe Furtado, Paulo Silva e Filipe Fidalgo, num espetáculo que cruza palavra, improvisação, rap, hip-hop, loops, bases eletrónicas e instrumentos acústicos. A proposta explora também as afinidades entre o hip-hop e o jazz, criando um espaço de experimentação sonora e construção coletiva.

A presença de Gonçalo Guiné no Epicentro prolonga, assim, uma linha de trabalho que a Blue House e o JACC têm vindo a desenvolver através das suas áreas de educação e mediação, reforçando a importância de criar oportunidades para que crianças e jovens não sejam apenas espectadores, mas também participantes ativos nos processos de criação e contacto com a música.

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