quinta-feira, 17 de setembro de 2026

HÉLDER BRUNO EM PALCO


FOTOGRAFIA: FILIPE FURTADO/BLUE HOUSE

O compositor e pianista Hélder Bruno apresenta Ether Sculptures em duas novas datas, numa viagem por Ovar e Óbidos que cruza música, imagem e diferentes linguagens sonoras.

Depois da estreia absoluta no Teatro Académico de Gil Vicente, em junho de 2025 e do concerto na Estação Nova, em Coimbra, no âmbito do Epicentro/Verão a 2 Tempos, Ether Sculptures regressa aos palcos para duas novas apresentações: 20 de setembro, às 18h00, no Centro de Arte de Ovar, integrado no Festival Literário FLO e 16 de outubro, em Óbidos. O concerto de Ovar têm entrada livre.

O projeto de Hélder Bruno propõe uma experiência imersiva em que a música se transforma em matéria invisível, capaz de evocar imagens, paisagens e narrativas. Inspirado pelo poder da música enquanto experiência sensorial e emocional, Ether Sculptures parte da ideia de que cada composição pode ser entendida como uma escultura moldada no éter — invisível, mas audível e sensível.

Neste espetáculo, Hélder Bruno explora conceitos como identidade narrativa, musicalidade e musicking, construindo uma linguagem em que o som se relaciona diretamente com o imaginário de quem escuta. A música torna-se, assim, um espaço de criação e interpretação, onde cada ouvinte é convidado a construir as suas próprias imagens a partir dos sons que o atravessam.

Ether Sculptures inscreve-se na tradição da música programática, através de composições com títulos evocativos que sugerem imagens e histórias sonoras. O piano assume-se como elemento central de uma experiência que se expande através do diálogo com o violoncelo, outras vozes e instrumentos, criando diferentes paisagens sonoras e ampliando a experiência da escuta.

O espetáculo conta com as participações especiais de Surma, Iuri Oliveira e Jorri (a Jigsaw), a que se junta Maria Redes Martins, no violoncelo, num encontro entre diferentes universos e linguagens musicais. A conceção do imaginário visual do concerto está a cargo de Ângela Bismarck, acrescentando uma dimensão visual à experiência sonora.

quem é helder bruno

Hélder Bruno (Coimbra, 1976) compositor, pianista e etnomusicólogo. 

A sua música respira entre a delicadeza e a intensidade, entre a quietude e a ondulação de emoções profundas. Inspirado pela música erudita ocidental, pelo jazz e pelas linguagens contemporâneas, traça um percurso singular onde cada composição é um espaço de encontro entre o passado e o porvir.

Editou dois álbuns de originais: A Presença, Serena e Terna(2018) e Under a Water Sky (2022). O primeiro, uma suite de doze peças para piano, voz e quarteto de cordas, revela um universo de sensibilidade e contemplação. O segundo, apresentado, entre outros locais, no Teatro Académico de Gil Vicente, expande esta identidade sonora, contando com a colaboração de artistas como Maria João, Sérgio Carolino, O Gajo e Marito Marques. Em 2023, Under a Water Sky foi distinguido nos International Portuguese Music Awards (IPMA 2023, EUA), onde venceu na categoria Best World Music Performance com o tema Island.

Hélder Bruno iniciou os seus estudos no Conservatório de Música de Coimbra e aprofundou o seu percurso na Escola de Jazz do Porto, cruzando fronteiras entre a música clássica, o jazz e a improvisação. Ao longo da sua carreira, colaborou com diversos projetos, através da orquestração de peças e da criação de bandas sonoras para dança, teatro e cinema. Foi pianista em múltiplas formações, além de ter participado em registos discográficos de outros artistas. Alguns dos nomes que ao longo do tempo, no qual houve trabalho desenvolvido: Jorge Palma, Né Ladeiras, Nuno Guerreiro, Rodrigo Amado e Cool Train Trio.
Nos palcos, seja a solo ou acompanhado por formações de câmara, os seus concertos desenham atmosferas imersivas, onde a música se expande para além do som e se torna experiência.
Para além da sua atividade artística, é professor adjunto convidado da ESEC/IPC e docente na STATUS - escola profissional da Lousã. 

É consultor e investigador com trabalhos publicados, dos quais se destacam os livros Jazz em Portugal (1920-1956) (Almedina, 2006) e “É jazz quando me chegam lágrimas aos olhos” José Duarte (1938-2023) (edições Cordel D’Prata, 2024).

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