Os Mono Clones apresentam “Damn the Day, Seize the Night”, o primeiro longa-duração da banda, acompanhado pelo novo single “Like I do”. Depois de anteciparem o disco através de “There Is Nothing Wrong”, “Nothing Fades Quicker Than Eternal Love” e “Faites vos Jeux”, o grupo reúne agora num mesmo trabalho o universo que batizou de “Late Night Rock”: canções construídas a partir das histórias, relações, excessos e contradições que habitam as horas entre a meia-noite e o amanhecer.
“Damn the Day, Seize the Night” nasce como um retrato assumidamente humano das experiências que atravessam esse período da noite. Entre paixão, ironia, sarcasmo, insegurança, decisões questionáveis e ressacas emocionais, o álbum procura preservar precisamente aquilo que os Mono Clones consideram difícil de separar da criação musical: a imperfeição, a dúvida e a contradição. Para a banda, o disco é “um grito, uma confissão” e um abraço dirigido a quem continua a acreditar que a música pode ser mais do que som de fundo produzido por Inteligência Artificial.
Ao longo do álbum, os Mono Clones percorrem diferentes manifestações dessa inquietação. “Analog Freak” assume-se como uma espécie de manifesto num presente marcado pela permanente exposição individual, contrapondo-lhe a defesa das relações presenciais, das conversas sem intermediação e do contacto direto. Já “Faites vos Jeux” observa o amor enquanto jogo de incerteza e risco, comparando as relações a uma roleta onde a possibilidade de ganhar convive permanentemente com a de ficar apenas a observar o movimento da bola.
Em “Not of This World”, a sensação de desenquadramento transforma-se numa reflexão sobre a procura de um lugar onde seja possível pertencer, enquanto “How Low Is Too Low?” aborda momentos de confronto com a própria imagem e de desvalorização pessoal. “Terms and Conditions Apply”, por sua vez, olha para as expectativas criadas no início das relações e para os pequenos detalhes que acabam por revelar aquilo que os grandes anúncios escondem. Em “Nothing Good Happens After Drunk A.M.”, o disco entra no território da ressaca emocional e daqueles momentos em que a esperança de um encontro ou reconciliação sobrevive para lá daquilo que a realidade parece permitir.
O título sintetiza a atitude que percorre o trabalho. “Damn the Day, Seize the Night” recupera e subverte o “carpe diem” popularizado por “O Clube dos Poetas Mortos”, transformando-o num “Carpe Noctem” que coloca a noite no centro da narrativa. Todas as músicas e letras do álbum são assinadas por Bruno Le Roc.
A acompanhar a edição do disco chega “Like I do”, novo single que transporta o humor e a ironia dos Mono Clones para uma relação construída sobre expectativas desencontradas. De um lado encontra-se a procura de uma ligação genuína; do outro, a expectativa de uma vida associada ao luxo e ao estatuto. A canção parte dessa incompatibilidade para questionar aquilo que efetivamente permanece quando champanhe, jatos privados, limusines e outros símbolos materiais deixam de ser suficientes.
Mais do que um exercício de revanche perante o fim de uma relação, “Like I do” procura encontrar uma verdade emocional por baixo da provocação. Para os Mono Clones, química, proximidade e aquela atração difícil de explicar podem valer mais do que os sinais exteriores de riqueza. É nesse contraste que o tema encontra o seu lado simultaneamente sarcástico e vulnerável, defendendo a ligação entre duas pessoas perante expectativas construídas em torno daquilo que uma relação deveria proporcionar.
Formados a partir de uma relação comum com as histórias da vida noturna, os Mono Clones definem a sua música como Late Night Rock, uma linguagem que procura retratar as horas em que as conversas ganham frequentemente segundos sentidos e as decisões tendem a tornar-se menos previsíveis. Sonoramente, o grupo cruza guitarras carregadas de reverb com interpretações vocais que alternam entre um registo lento e uma entrega mais acelerada, assumindo influências de nomes como Arctic Monkeys, The Strokes, The Doors e The Last Shadow Puppets.
Apesar do percurso ainda recente, a banda tem vindo a desenvolver a sua presença ao vivo dentro e fora de Portugal. Depois de vários concertos em território nacional e de uma passagem por um festival na Bélgica durante o ano de estreia, os Mono Clones preparam também um novo capítulo internacional com uma atuação em Manchester.
Com “Damn the Day, Seize the Night”, os Mono Clones concretizam agora em longa-duração o universo apresentado nos primeiros singles: um conjunto de canções sobre aquilo que acontece quando o dia termina e as certezas começam a desaparecer, entre relações, excessos, humor, desilusão e a procura de alguma lucidez no meio da noite.

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