terça-feira, 20 de outubro de 2026

CARLOS BICA E JOÃO BARRADAS EDITAM DISCO















O primeiro álbum do duo reúne duas gerações maiores da música criativa europeia num diálogo sem fronteiras entre jazz, canção, experimentação e tradição escrita, onde cada nota, ruído e silêncio ganha significado

Artistas de gerações distintas, Carlos Bica e João Barradas são dois dos mais importantes músicos criativos do actual panorama europeu. O primeiro, criador de um universo sonoro único e imediatamente reconhecível - um “indie jazz romântico”, talvez - e contrabaixista de enorme sofisticação. O segundo, um dos expoentes máximos do acordeão contemporâneo, com uma carreira fulgurante quer no âmbito do jazz, quer da música de tradição escrita.

Notável, desde logo, por um virtuosismo contido ou uma fusão tímbrica invulgar, The Great Silence (edição Artway Jazz) é a estreia discográfica de um duo largamente alheio a rótulos ou fronteiras. Através de um processo criativo tão livre quanto rigoroso, Bica e Barradas fundem, sem esforço, o experimental e a canção, o erudito e o popular, o espontâneo e o predeterminado, desafiando também as próprias funções de solista e acompanhante, compositor e intérprete. A música que daí resulta tem, além disso, outra particularidade: todos os seus elementos contam - notas, acordes, ruídos, silêncios. Para Bica, o silêncio é, em si mesmo, um elemento musical basilar: “o silêncio é música”, diz-nos. Num certo sentido, “o grande silêncio” é nada mais nada menos do que a grande música.

BIOGRAFIAS

Carlos Bica

“Em Carlos Bica, a música não se resume ao que lá está, mas a um policromático jogo de memórias de que somos, também ou principalmente os maiores protagonistas.”

– Blitz

Carlos Bica é um dos nomes do jazz nacional com maior projecção além-fronteiras, tendo-se tornado uma referência no panorama do Jazz europeu. Entre os vários projectos musicais que lidera e para além das suas participações em outras áreas como teatro, cinema e dança, o seu trio AZUL com o guitarrista Frank Möbus e o baterista Jim Black, tornou-se na imagem de marca do contrabaixista e compositor.

Com o decorrer dos anos outros mais projectos nasceram que ficaram registados em disco, tais como: Diz, Single, Matéria-Prima, I Am The Escaped One, Playing with Beethoven e o mais recente „11:11“ (Melhor Álbum de Jazz Nacional) que conta com a participação de alguns dos mais talentosos e criativos músicos de uma nova geração de músicos portugueses.

Quando se fala da música de Carlos Bica a crítica costuma salientar a forma como nela se interpenetram referências de diferentes universos, da música erudita contemporânea à folk, ao rock, ao jazz, às músicas improvisadas. O que corresponde, como seria natural, à própria trajectória do músico compositor. Aprendeu a tocar contrabaixo na Academia dos Amadores de Música e na Escola Superior de Música de Würzburg, na Alemanha. Foi membro da Orquestra de Câmara de Lisboa, assim como de diversas orquestras de câmaras alemãs, tais como, a Bach Kammerorchester e a Wernecker Kammerorchester. Fez muita música improvisada, durante anos tocou com a cantora Maria João, trabalhou e gravou na área da música popular portuguesa com Carlos do Carmo, José Mário Branco, Camané, Janita Salomé, Pedro Caldeira Cabral, Cristina Branco e colaborou com músicos como Ray Anderson, Kenny Wheeler, Aki Takase, Kurt Rosenwinkel, John Zorn, Lee Konitz, Mário Laginha, Mathias Schubert, Claudio Puntin, João Paulo Esteves da Silva, Gebhard Ullmann, David Friedman, Alexander von Schlippenbach, John Ruocco, Daniel Erdmann, DJ Illvibe, entre outros.

“A música de Carlos Bica é excitante, é moderna e contagiante. Bica é um ouvinte atento ao mundo exterior – donde a sua modernidade – e um escritor de canções inato. Nas suas composições encontramos fragmentos de coisas que apenas o nosso subconsciente reconhece, mas expostas de forma tal que elas nos surgem absolutamente naturais e óbvias. Nada que tenha a ver com alguma forma de pastiche ou resultado de copy/ paste; antes uma forma evidente de contar histórias feitas de pedaços de quotidiano que de uma forma estranha reconhecemos.” 

– All Jazz

João Barradas

Destaca-se como um dos músicos mais criativos no panorama do acordeão europeu, movendo-se, simultaneamente, entre a tradição clássica e a música improvisada.

É o responsável pelos primeiros recitais de acordeão em programações tão distintas como as da Wiener Konzerthaus, da Fundação Calouste Gulbenkian ou do Festival d’Aix-en-Provence, e apresenta-se como solista com a Orquestra Filarmónica de Londres, a Orquestra da Tonhalle de Zurique, a Sinfónica de Hamburgo, a Orquestra da Toscânia, a Orquestra de Câmara de Colónia, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música ou a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direcção de prestigiados maestros como Edward Gardner, Alondra de la Parra, Sylvain Cambreling, Douglas Boyd, Christoph Poppen, Joana Carneiroe Pedro Neves.

No mundo do jazz, tem aumentado a influência do seu instrumento colaborando com alguns dos mais importantes improvisadores contemporâneos, tais como Mark Turner, Peter Evans, Aaron Parks, Jonathan Kresiberg, Maria Schneider, Aka Moon, Greg Osby, Mike Stern, Rufus Reid, David Binney, Gil Goldstein, Perico Sambeat, Christian Lillinger, Tineke Postma e formações alagardas como a Brussels Jazz Orchestra.

Foi nomeado ECHO Rising Star pela European Concert Hall Organization em 2019. Em 2024 foi o Artista em Residência na Casa da Música, no Porto, e distinguido com o Sir Jeffrey Tate Award, na Alemanha.

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