© João Hasselberg
Entre a inquietação individual e a salvação no coletivo, os Cassete Pirata fazem das contradições do nosso tempo matéria para as suas novas canções. Depois de “Abismo” e “Sou Gente Outra Vez”, a banda apresenta um conjunto de canções que cruza a energia do pop rock português com uma reflexão sobre a polarização, a exaustão quotidiana e a crescente dificuldade em encontrar espaço para o pensamento, a empatia e o diálogo.
Entre inquietações sociais, políticas e individuais, A Sombra observa criticamente um mundo marcado pela velocidade da informação, pelo impacto das redes sociais e pelo desgaste emocional. A produção do álbum esteve a cargo de António Vasconcelos Dias.
“A vida moderna está complexa, está tudo a acontecer muito rápido - crises financeiras, pandemias, instabilidade profissional e familiar… e, a nosso ver, muito desamparo. Somos uma sociedade em burnout, numa corda bamba entre a depressão e a mania falsa das redes sociais”, afirma Pir, vocalista, guitarrista e compositor da banda, destacando ainda as consequências do digital nas nossas vidas, nas democracias e nas novas gerações.
Da crítica à voracidade do digital em “A Gente Quer Saber”; à intolerância e polarização em “Sabemos Quem São”; às inquietações mais íntimas de “Abismo”, “Já Só Me Nego” ou “Roda dos Medos”, os Cassete Pirata percorrem diferentes expressões de uma mesma tensão: a distância entre aquilo que nos é exigido e aquilo que verdadeiramente precisamos para viver.
É no epicentro desta tensão que nasce “Viola no Saco”, o novo single que acompanha o lançamento do álbum. A canção questiona a troca constante de acusações, sobretudo nos espaços virtuais, e propõe o silêncio e o afastamento como formas conscientes de autopreservação, sem abdicar da resistência. “Resultou este disco, que eu acredito que acrescenta à posição de resistência social. Se possível, ajudando, com força e um toque de esperança”, remata Pir.
Para transformar em vídeo esta canção, escolheram a lente de João Hasselberg e o registo cru da banda, que enfrenta e transporta a letra numa atmosfera industrial e de verticalidade do betão: um ambiente e espaços que envolvem a nova série de fotografias promocionais do grupo que recusa os artifícios.
Fechando o alinhamento do disco com “A Resposta”, somos largados no espaço mais puro da fragilidade e das marcas que o amor nos deixa.
Musicalmente, os Cassete Pirata mantêm a sua linguagem singular, onde o rock das guitarras se cruza com melodias pop, ritmos envolventes e uma escrita em português que alterna entre a ironia, a frontalidade e a vulnerabilidade. As novas canções prolongam um percurso de afirmação artística construído ao longo de uma década, preservando a espontaneidade, a energia coletiva e a forte ligação que têm vindo a criar com o público.
Dez anos depois do início desta viagem, a banda de João “Pir” Firmino (voz e guitarra), Margarida Campelo e Joana Espadinha (teclados e voz), António Quintino (baixo) e João Pinheiro (bateria) celebra o caminho percorrido sem deixar de olhar em frente. O lançamento de A Sombra coincide com a apresentação do espetáculo especial CASSETE PIRATA – 10 ANOS, que revisita os temas que marcaram a primeira década da banda e que dá palco às novas canções.
Depois da passagem pelo Lustre, em Braga, a 24 de outubro, o espetáculo chega ao Teatro Municipal da Covilhã a 14 de novembro, e ao Capitólio, em Lisboa, a 28 de novembro. Homenageando a estrada percorrida, os Cassete Pirata encontram em A Sombra a projeção de um caminho.

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