sexta-feira, 23 de outubro de 2026

DU NOTHIN APRESENTA “MUNDO DU POP!”





















Du Nothin
apresenta “MUNDO DU POP!”, o seu álbum de estreia, um trabalho desenvolvido ao longo de dois anos que assinala uma transformação na identidade musical e artística de Duarte Appleton. Entre referências à pop dos anos 80, ao funk, à música eletrónica e ao indie rock, o disco acompanha um período de descoberta pessoal e de experimentação criativa, abordando as contradições, os desejos e as incertezas associados à entrada na vida adulta. Mais do que um retrato geracional, o primeiro longa-duração do artista procura documentar um processo de crescimento que se desenvolveu em simultâneo com a própria criação musical, colocando a liberdade de expressão e a necessidade de ultrapassar limites pessoais no centro do projeto.

Nas palavras do próprio artista, “o álbum toca nos clichés dos álbuns de artistas que também já tiveram 20 e poucos anos e estão a descobrir a vida adulta. É um tema que, como qualquer cliché, já foi muito falado. Mas, apesar de abordar esses temas, o álbum não é propriamente sobre isso. É antes um retrato de um Duarte que está e continua a passar por todas as transformações que esta fase da vida implica. Há muitas vontades diferentes dentro do mesmo álbum.

Foi um álbum que me acompanhou durante os últimos dois anos, entre os meus 23 e os 25, uma fase em que acabas por mudar muito. Ter um tema central a nível estético ajudou-me a dar alguma coerência ao projeto, mas, mais do que o álbum ter acompanhado as minhas mudanças, sinto que também fui conseguindo compreender o próprio álbum e aquilo que realmente queria fazer com ele.

Às vezes, temos determinadas posturas perante situações da nossa vida que, de forma inconsciente, acabam por nos levar a certos sítios. Só mais tarde conseguimos perceber porque é que as coisas aconteceram daquela maneira. Com este álbum aconteceu exatamente o mesmo.

Inicialmente, a ideia de fazer um álbum vinha de uma vontade e de uma confiança de que podia conseguir fazer um projeto mais competitivo. Sentia que estava na hora de dar esse salto. Mas, na verdade, acabou por ser muito mais do que isso.

Quando convidei o Chico Chique, tinha vontade de fazer uma coisa mais pop, à minha maneira. Queria que fosse inspirado nos anos 80, que tivesse uma onda mais funky e que não fosse o meu rock do costume. Com esta transformação, foram surgindo também novos motivos e novas vontades. De repente, comecei a gostar da ideia de pegar em referências como a Charli XCX e no electro-pop. Até o auto-tune, enquanto textura, começou a fazer sentido para mim, quando eu vinha do indie rock (ahahah).

Também descobri, de uma forma mais profunda do que aquilo que já conhecia, os Depeche Mode e os Daft Punk entre outras, que têm discografias absurdamente vastas e interessantes, com muita textura crua que eu próprio estava a começar a implementar no álbum.

Com toda esta aprendizagem, percebi que este disco era, no fundo, uma tentativa de aceder à capacidade de fazer exatamente aquilo que me apetece. É a primeira vez que faço um álbum e houve muita aprendizagem pelo caminho. Mas aquilo que retiro para a vida é sobretudo o meu crescimento artístico: perceber que tenho de explorar e que é precisamente isso que me entusiasma. É o que me permite ultrapassar qualquer limite ou complexo que exista em mim.

Se precisar de ter uma personagem numa parte de um concerto, sinto que, se fizer sentido, não me vou limitar por vergonha, percebes? (ahahah) Sinto que comecei a aprender a criar sem medos, sem limites e sem medo do ridículo. E isso é muito difícil. É uma coisa que temos de exercitar constantemente para não perdermos essa capacidade.

Por isso, o “MUNDO DU POP!” representa, para mim, o desbloquear da arte sem limites, o universo pop e a autenticidade genuína. Ainda tenho muito para trabalhar, mas este álbum foi a minha primeira experiência a fazer algo maior do que eu e a crescer com isso.

Houve também outra coisa que tive de aprender: perceber o quanto a música afeta a minha vida, ou melhor, o quanto a vontade de criar a afeta.

Sempre tive algum receio de deixar entrar na minha vida situações potencialmente desreguladoras ou emocionalmente destabilizadoras. Nunca me tinha deixado apaixonar, por exemplo, porque sabia o quanto isso me podia afetar a capacidade de me focar naquilo que realmente me importa. Havia um bebé por proteger, e sempre tive consciência disso.

Entretanto, percebi que podia olhar para a mesma coisa de outra forma. O bebé está cá e precisa de crescer. E crescer também implica ser magoado, estar em baixo e passar por experiências que nos levam aos sítios mais bonitos da nossa vida. Eu não estava a deixar a minha arte crescer dessa forma se me limitasse a viver racionalmente, sempre com medo daquilo que me pudesse desviar do meu foco perante o meu projeto.

Há uma frase que uma vez ouvi muito gira: «É a arte que imita a vida, ou a vida que imita a arte?» Acho que esta ligação entre as duas nunca poderá ser separada. Aristóteles afirma que a arte imita a vida e mais tarde Oscar Wild inverte a logica e diz que a vida imita a arte, mas se fores suficientemente a fundo, percebes que são quase a mesma coisa, especialmente para os artistas que criam dessa forma.

Se eu limitar a minha vida com medo de que me tire tempo da minha arte, vou limitar a minha arte.

No fundo, este álbum foi também o amadurecer, o início da vida adulta de que falávamos, aquela fase que parece tão desinteressante ao início. Mas que, na verdade, quando a expomos com intenções concretas, profundas e pessoais, pode ser das coisas mais bonitas que existem, independentemente das banalidades que possa ter.”

“MUNDO DU POP!” já se encontra disponível em todas as plataformas digitais.

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