quarta-feira, 14 de outubro de 2026

DUQUES DO PRECARIADO EDITAM ENCARNAÇÃO EM VINIL A 29 DE OUTUBRO, DIA EM QUE SOBEM AO PALCO DO TAGV

















O segundo álbum dos Duques do Precariado chega ao formato vinil a 29 de outubro, numa data que assinala também o regresso da banda a Coimbra, para um concerto no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), integrado na programação do Festival Lux Interior. Depois de conquistar o Globo de Ouro de Melhor Canção com “Falho”, o grupo assinala mais um momento no percurso de Encarnação.

Lançado em janeiro, Encarnação sucede a Antropocenas e nasceu da vontade dos Duques do Precariado de fazer um disco à medida da banda. O que inicialmente poderia ter sido um projeto assente em loops, camadas complexas e produção elaborada transformou-se num trabalho direto, visceral e coletivo, assumidamente anti-Máquina e pró-Carne.

A edição em vinil, a 29 de outubro, coincide com uma nova apresentação ao vivo em Coimbra. Nesse dia, os Duques do Precariado atuam no TAGV, no âmbito do Festival Lux Interior, levando ao palco um repertório que cruza as canções de Encarnação com a identidade construída ao longo do seu percurso.

O reconhecimento de “Falho” com o Globo de Ouro de Melhor Canção reforça a visibilidade de um projeto que não abdica da sua singularidade. Na música dos Duques do Precariado, a precariedade não é apenas uma condição a denunciar, mas também um ponto de partida para outras formas de criar, tocar e estar em conjunto. Como a própria banda explicou, uma das formas de lidar com a precariedade é abraçá-la, fazendo da música um espaço de encontro e de liberdade.

Os Duques do Precariado chamam à sua música «Folclore Independente» ou «Etno-novidades». As letras atravessam temas como a morte, o amor e a transformação, sem deixar de olhar para as contradições do presente. Em Encarnação, a relação entre os músicos não é um mero suporte das canções: é parte essencial daquilo que o disco procura afirmar.

Sobre Encarnação

No artigo «Duques do Precariado, ou a invenção de um folclore para o futuro ameaçado», publicado no Rimas e Batidas, Vítor Rua reflete sobre as opções musicais e estéticas do grupo, destacando a relação entre a fisicalidade da interpretação e a criação coletiva.

O autor sintetiza essa abordagem numa formulação particularmente expressiva: «O resultado não é cru por falta de trabalho. É trabalhado para conservar a crueza necessária.»

Sobre a forma como a banda constrói o seu próprio universo musical, escreve ainda: «O tempo não está fora dos músicos, emitido por um aparelho ao qual todos obedecem. Nasce entre eles.»

E, a propósito da ideia de «Folclore Independente», propõe uma leitura da tradição não como passado imutável, mas como matéria viva, capaz de se transformar e de encontrar novas formas de expressão no futuro.


CONCERTOS 2026

29 outubro — Coimbra - Festival Lux Interior

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