No primeiro curta duração, o finalista do Festival da Canção 2026 explora temas como a perda, culpa e a aceitação e reflete sobre uma indústria que transforma experiências pessoais em conteúdo.
Gonçalo Gomes apresenta o EP de estreia “Prólogo”. O curta duração reúne oito temas, unidos pela narrativa de uma mesma personagem: uma relação conturbada, a perda da pessoa que ama e a culpa que permanece depois do fim. Dividido em dois pontos de vista, o projeto começa pelo lado de quem “errou” e avança depois para a perspetiva de quem ficou do outro lado, construindo uma história feita de diferentes momentos e emoções.
"Este EP fala sobretudo de perda, culpa e da forma como uma experiência pode continuar a perseguir-nos mesmo depois de ter terminado. Existe uma narrativa que atravessa as músicas, acompanhando uma personagem que passa por uma relação complicada, perde a pessoa que ama e fica presa à culpa pelo que aconteceu", explica Gonçalo Gomes. "Mais do que contar uma história de forma linear, quis que as músicas fossem construindo diferentes momentos e emoções dentro dessa narrativa, deixando também espaço para que o ouvinte interprete o que realmente aconteceu", acrescenta o artista.
As primeiras quatro músicas - 'Doce Ilusão', 'Erros', 'Não Sei Viver' e 'Apocalipse' - acompanham o percurso de quem “errou” e exploram a culpa, a tristeza e a dificuldade em lidar com as consequências das próprias ações. A segunda metade do EP apresenta o outro lado da história, desde a vontade de continuar em 'Meia-Noite' à raiva de 'Mau da Fita', passando pelo desespero de 'Castigo' e chegando finalmente à aceitação do término em 'Ainda Estou Aqui'.
"Ao longo do EP, essa história começa a cruzar-se cinematograficamente com a ideia de indústria e de como uma tragédia pessoal pode ser transformada numa narrativa vendável. A personagem principal deixa de ser apenas alguém a viver aquilo e passa, aos poucos, a ser alguém que está a ser observado, moldado e transformado numa figura artística, passando a ser tratado como um mero fantoche", conta Gonçalo Gomes.
Musicalmente, "Prólogo" apresenta uma sonoridade Pop, assumindo uma forte componente emocional e abrindo espaço à experimentação. O trabalho foi desenvolvido por Gonçalo Gomes com João Umbelino, produtor do projeto e colaborador no single 'Meia-Noite'.
"Acho que essa liberdade foi importante
para o EP, porque permitiu que cada música encontrasse a sua própria
identidade sem deixarmos de ter uma linha condutora. Em comparação com
os meus lançamentos anteriores, sinto que houve também uma maior
preocupação em experimentar e em pensar não só nas músicas
individualmente, mas na forma como funcionam enquanto conjunto e dentro
da narrativa do projeto", diz o cantor e compositor.
“Prólogo” inclui o single de avanço 'Apocalipse' e é acompanhado pelo novo 'Ainda Estou Aqui', faixa que encerra o EP e representa o momento de aceitação e libertação. Nas palavras do artista, "é, de certa forma, uma análise de toda uma relação: olhar para aquilo que foi vivido, reconhecer que as coisas já não estavam bem e perceber o momento em que deixar de ficar passa a ser a única forma de seguir em frente. É também um grito de libertação de alguém que deixou de se sentir preso àquela relação e que já sabe que não vai voltar, mesmo que a outra pessoa lhe peça para ficar".
Com “Prólogo”, Gonçalo Gomes apresenta um projeto pensado como um conjunto, em que diferentes canções, emoções e perspetivas vão construindo uma narrativa que não fecha completamente a interpretação sobre aquilo que realmente aconteceu. “Prólogo” está disponível em todas as plataformas digitais.
Cantor, compositor e performer, Gonçalo Gomes nasceu em Coimbra e cresceu em Anadia. Em 2026, chegou à final do Festival da Canção com ‘Doce Ilusão’, num momento decisivo para a afirmação da sua identidade artística e para a projeção do seu trabalho junto de um público mais amplo.
O percurso musical de Gonçalo Gomes começou aos 14 anos. Nessa altura, iniciou aulas de canto orientadas por um maestro e integrou dois coros polifónicos, experiências que contribuíram para a sua formação vocal e musical. Atualmente, frequenta o curso de Estudos Artísticos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Em 2023, participou no The Voice Portugal, onde conquistou o público e o mentor António Zambujo com interpretações marcadas pela entrega e pela emoção.
Entre a Pop e a canção portuguesa, Gonçalo Gomes tem vindo a construir uma linguagem própria, onde a melancolia, a vulnerabilidade e a intensidade emocional convivem com uma dimensão mais leve e irreverente. Inspirado por nomes como Joji e Rita Rocha, escreve a partir daquilo que conhece e sente, transformando experiências pessoais em canções que procuram estabelecer uma ligação direta com quem as ouve. Para Gonçalo Gomes, a vulnerabilidade não é uma fraqueza - é matéria-prima.
Depois de se destacar no Festival da Canção, continuou a desenvolver esse universo através de temas como ‘Apocalipse’ e ‘Heróis’, que contribuíram para ultrapassar as 100 mil reproduções nas plataformas de streaming e as 600 mil visualizações nas redes sociais. Seguiu-se ‘Aprender’, um dueto com a cantora e compositora conimbricense Aris, num momento de crescimento e exploração de novas possibilidades dentro da sua identidade artística.
Agora, com “Prólogo”, Gonçalo Gomes leva essa linguagem mais longe. O novo EP mergulha em territórios de perda, culpa, desejo e aceitação, cruzando uma narrativa emocional com uma dimensão cinematográfica e conceptual. É mais um passo num percurso ainda em construção - e precisamente por isso, sem medo de experimentar, mudar de forma e descobrir até onde pode ir.

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