Os Mad Nomad apresentam “COMMON GROUND”, um álbum que cruza jazz de fusão contemporâneo, spoken word, música eletrónica e referências rítmicas das tradições de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, numa reflexão sobre identidade, pertença, memória e resistência coletiva. Através de composições que combinam instrumentação orgânica, sintetizadores, sampling e textos em diferentes línguas, o coletivo desenvolve um trabalho que parte de experiências individuais de perda e reconstrução para abordar questões como a herança colonial, o racismo, as desigualdades sociais, o patriarcado e a necessidade de encontrar formas de convivência num contexto de crescente polarização.
O título do álbum traduz a questão que atravessa as suas diferentes composições: como construir um terreno comum sem apagar as diferenças? A partir dessa interrogação, os Mad Nomad propõem uma leitura da relação entre indivíduo e comunidade, considerando a interdependência como elemento fundamental da experiência humana. A ideia de pertença não surge associada à uniformidade, mas à possibilidade de reconhecer histórias, origens e identidades distintas enquanto partes de uma realidade partilhada.
Musicalmente, “COMMON GROUND” desenvolve uma linguagem que recusa fronteiras rígidas entre géneros. A herança do jazz encontra-se com estruturas rítmicas inspiradas em tradições cabo-verdianas e guineenses, reinterpretadas através de linguagens urbanas contemporâneas. A improvisação, a experimentação eletrónica e a utilização do groove enquanto elemento de construção e desconstrução musical convivem com momentos de maior intimidade, passagens instrumentais de carácter cinematográfico e intervenções poéticas próximas da performance.
A pluralidade linguística assume igualmente um papel central na identidade do disco. O inglês e o crioulo cabo-verdiano, a par da presença do português, surgem como expressão de experiências culturais e trajetórias marcadas pela circulação entre diferentes territórios. Mais do que um recurso formal, essa diversidade acompanha as narrativas afro-diaspóricas e lusófonas que atravessam o álbum, estabelecendo relações entre memória familiar, deslocação, transmissão de valores e construção de comunidade.
Na faixa que dá título ao trabalho, “Common Ground”, os Mad Nomad concentram algumas das principais preocupações conceptuais do disco. A imagem de levantar a calçada pedra a pedra para descobrir aquilo que permanece sob as estruturas construídas pelo ser humano funciona como metáfora para a procura de pontos de encontro numa sociedade marcada por hierarquias, fronteiras e divisões. A escuta, a colaboração e o reconhecimento da interdependência surgem como possibilidades de contrariar a fragmentação e encontrar uma base comum para a convivência.
Essa relação entre identidade individual e memória coletiva prolonga-se em “N’tem Ki Bai / Lela”, composição que cruza crioulo cabo-verdiano, português e inglês para abordar a emigração, a distância familiar, o trabalho e a continuidade entre gerações. A alternância linguística acompanha uma narrativa sobre a experiência diaspórica, na qual a ideia de herança ultrapassa a dimensão material e encontra expressão nos afetos, na memória e nos valores transmitidos. As vozes de apoio, construídas através de respostas e contrapontos, reforçam a dimensão comunitária da canção, que conta com a participação de Ricardo Pinto, no trompete, e António Bruheim, nos saxofones alto e tenor.
Em “Beyond Us”, o coletivo dirige o olhar para as consequências históricas da violência e da exclusão, confrontando a persistência do colonialismo, do racismo estrutural e dos mecanismos sociais que perpetuam o medo e a discriminação. Através de uma construção atmosférica e cinematográfica, a composição recupera histórias e referências a vítimas de injustiça racial, sublinhando a importância da memória enquanto forma de resistência ao esquecimento. O tema conta com as participações de João Mortágua, no saxofone alto, e Mick Trovoada, na percussão.
A crítica às estruturas de poder assume uma expressão particularmente direta em “Hard from the Core”, composição coletiva que incorpora influências do punk hardcore e dos cruzamentos entre hip-hop e punk. A faixa confronta o patriarcado, a desigualdade económica e os mecanismos de manipulação tecnológica e informacional, contrapondo-lhes uma mensagem de empatia e solidariedade. A intensidade da abordagem musical acompanha uma escrita que questiona a manutenção de privilégios e as formas de exploração que sustentam diferentes relações de poder.
Também “Dark Light” explora a relação entre forças aparentemente opostas, articulando reflexões íntimas com uma crítica às desigualdades de género. A partir de imagens associadas à dualidade entre luz e sombra, força e fragilidade, a composição aborda o peso das expectativas sociais colocadas sobre as mulheres e a normalização de responsabilidades frequentemente invisibilizadas. A participação vocal de Anna Lundqvist integra um tema que questiona a romantização da resistência feminina e a persistência de estruturas políticas e sociais que reproduzem essas desigualdades.
Em “The Spark”, a reflexão estende-se à relação entre informação, consciência coletiva e sustentabilidade. A canção parte da imagem de uma pequena centelha capaz de orientar um processo de transformação, ao mesmo tempo que confronta as consequências da ganância, da indiferença e da concentração de poder. A crítica dirige-se também à influência dos grandes agentes tecnológicos e aos sistemas que sustentam a circulação e manipulação da informação. Musicalmente, a voz solista integra-se progressivamente na construção instrumental, passando a fazer parte de uma estrutura sonora que combina referências contemporâneas com uma sensibilidade próxima da música para cinema.
Apesar da presença de questões políticas e sociais, “COMMON GROUND” reserva igualmente espaço para processos de transformação íntima. Em “Wounded Pieces”, os Mad Nomad aproximam-se de uma linguagem neo-soul marcada pela fragmentação rítmica, pelo silêncio e pela repetição. A composição aborda a perda, o trauma e a reconstrução da identidade, procurando compreender de que forma a vulnerabilidade pode tornar-se parte de um processo de recuperação e afirmação pessoal. As imagens naturais presentes na letra aproximam essa transformação individual dos ciclos de renovação que atravessam o restante álbum.
A ligação entre o corpo humano e os sistemas naturais encontra uma expressão mais direta em “Natural Is Flow”. Através de uma composição que evoca o movimento dos rios, as migrações e a circularidade da vida, o tema desenvolve uma reflexão sobre a posição do indivíduo num ecossistema mais vasto. A faixa presta também homenagem a John e Alice Coltrane, recorrendo a samples de saxofone e voz dos músicos, e conta com a participação especial de André Fernandes na guitarra elétrica. A procura de transcendência através da criação artística aproxima-se aqui de uma conceção da natureza enquanto espaço de interdependência e transformação contínua.
Essa relação entre resistência e renovação prolonga-se em “Possibility / Clovers and Dandelions”. A primeira parte funciona como uma introdução à composição seguinte, utilizando a imagem de plantas frequentemente consideradas indesejadas para refletir sobre a persistência da vida em condições adversas. Com uma aproximação musical à pop alternativa de inspiração retro, “Clovers and Dandelions” transforma os trevos e dentes-de-leão em metáforas para comunidades deslocadas e culturas que resistem à destruição provocada pela guerra e pelos movimentos migratórios forçados. A canção, que conta com a participação de Mick Trovoada na percussão, sublinha a capacidade de transmissão e renovação cultural mesmo perante a perda de território.
Ao longo destas composições, a natureza surge como uma referência recorrente para compreender os processos humanos. Raízes que rompem o cimento, plantas que recuperam espaço, rios em movimento e ciclos de transformação estabelecem uma relação entre a resistência individual, a sobrevivência das comunidades e o equilíbrio dos ecossistemas. Essa aproximação permite aos Mad Nomad articular experiências íntimas e questões coletivas sem as apresentar como dimensões separadas.
O projeto Mad Nomad desenvolve-se a partir de uma abordagem artística assente na liberdade criativa, na improvisação e na experimentação sonora. Com uma identidade que cruza jazz, spoken word, canção, eletrónica e paisagens sonoras imersivas, o coletivo procura explorar os espaços de contacto entre concerto, performance poética e instalação sonora. A utilização de instrumentos acústicos e eletrónicos, a manipulação de estruturas rítmicas e a presença da palavra enquanto elemento musical constituem algumas das características centrais desta linguagem.
Com “COMMON GROUND”, os Mad Nomad aprofundam essa procura através de um trabalho em que a diversidade musical acompanha a pluralidade das experiências humanas que lhe dão origem. Entre a memória das comunidades afro-diaspóricas, a crítica às estruturas de desigualdade e os processos pessoais de reconstrução, o álbum propõe a escuta e a partilha como pontos de partida para reconhecer aquilo que une indivíduos e comunidades sem eliminar as diferenças que os constituem.
O título do álbum traduz a questão que atravessa as suas diferentes composições: como construir um terreno comum sem apagar as diferenças? A partir dessa interrogação, os Mad Nomad propõem uma leitura da relação entre indivíduo e comunidade, considerando a interdependência como elemento fundamental da experiência humana. A ideia de pertença não surge associada à uniformidade, mas à possibilidade de reconhecer histórias, origens e identidades distintas enquanto partes de uma realidade partilhada.
Musicalmente, “COMMON GROUND” desenvolve uma linguagem que recusa fronteiras rígidas entre géneros. A herança do jazz encontra-se com estruturas rítmicas inspiradas em tradições cabo-verdianas e guineenses, reinterpretadas através de linguagens urbanas contemporâneas. A improvisação, a experimentação eletrónica e a utilização do groove enquanto elemento de construção e desconstrução musical convivem com momentos de maior intimidade, passagens instrumentais de carácter cinematográfico e intervenções poéticas próximas da performance.
A pluralidade linguística assume igualmente um papel central na identidade do disco. O inglês e o crioulo cabo-verdiano, a par da presença do português, surgem como expressão de experiências culturais e trajetórias marcadas pela circulação entre diferentes territórios. Mais do que um recurso formal, essa diversidade acompanha as narrativas afro-diaspóricas e lusófonas que atravessam o álbum, estabelecendo relações entre memória familiar, deslocação, transmissão de valores e construção de comunidade.
Na faixa que dá título ao trabalho, “Common Ground”, os Mad Nomad concentram algumas das principais preocupações conceptuais do disco. A imagem de levantar a calçada pedra a pedra para descobrir aquilo que permanece sob as estruturas construídas pelo ser humano funciona como metáfora para a procura de pontos de encontro numa sociedade marcada por hierarquias, fronteiras e divisões. A escuta, a colaboração e o reconhecimento da interdependência surgem como possibilidades de contrariar a fragmentação e encontrar uma base comum para a convivência.
Essa relação entre identidade individual e memória coletiva prolonga-se em “N’tem Ki Bai / Lela”, composição que cruza crioulo cabo-verdiano, português e inglês para abordar a emigração, a distância familiar, o trabalho e a continuidade entre gerações. A alternância linguística acompanha uma narrativa sobre a experiência diaspórica, na qual a ideia de herança ultrapassa a dimensão material e encontra expressão nos afetos, na memória e nos valores transmitidos. As vozes de apoio, construídas através de respostas e contrapontos, reforçam a dimensão comunitária da canção, que conta com a participação de Ricardo Pinto, no trompete, e António Bruheim, nos saxofones alto e tenor.
Em “Beyond Us”, o coletivo dirige o olhar para as consequências históricas da violência e da exclusão, confrontando a persistência do colonialismo, do racismo estrutural e dos mecanismos sociais que perpetuam o medo e a discriminação. Através de uma construção atmosférica e cinematográfica, a composição recupera histórias e referências a vítimas de injustiça racial, sublinhando a importância da memória enquanto forma de resistência ao esquecimento. O tema conta com as participações de João Mortágua, no saxofone alto, e Mick Trovoada, na percussão.
A crítica às estruturas de poder assume uma expressão particularmente direta em “Hard from the Core”, composição coletiva que incorpora influências do punk hardcore e dos cruzamentos entre hip-hop e punk. A faixa confronta o patriarcado, a desigualdade económica e os mecanismos de manipulação tecnológica e informacional, contrapondo-lhes uma mensagem de empatia e solidariedade. A intensidade da abordagem musical acompanha uma escrita que questiona a manutenção de privilégios e as formas de exploração que sustentam diferentes relações de poder.
Também “Dark Light” explora a relação entre forças aparentemente opostas, articulando reflexões íntimas com uma crítica às desigualdades de género. A partir de imagens associadas à dualidade entre luz e sombra, força e fragilidade, a composição aborda o peso das expectativas sociais colocadas sobre as mulheres e a normalização de responsabilidades frequentemente invisibilizadas. A participação vocal de Anna Lundqvist integra um tema que questiona a romantização da resistência feminina e a persistência de estruturas políticas e sociais que reproduzem essas desigualdades.
Em “The Spark”, a reflexão estende-se à relação entre informação, consciência coletiva e sustentabilidade. A canção parte da imagem de uma pequena centelha capaz de orientar um processo de transformação, ao mesmo tempo que confronta as consequências da ganância, da indiferença e da concentração de poder. A crítica dirige-se também à influência dos grandes agentes tecnológicos e aos sistemas que sustentam a circulação e manipulação da informação. Musicalmente, a voz solista integra-se progressivamente na construção instrumental, passando a fazer parte de uma estrutura sonora que combina referências contemporâneas com uma sensibilidade próxima da música para cinema.
Apesar da presença de questões políticas e sociais, “COMMON GROUND” reserva igualmente espaço para processos de transformação íntima. Em “Wounded Pieces”, os Mad Nomad aproximam-se de uma linguagem neo-soul marcada pela fragmentação rítmica, pelo silêncio e pela repetição. A composição aborda a perda, o trauma e a reconstrução da identidade, procurando compreender de que forma a vulnerabilidade pode tornar-se parte de um processo de recuperação e afirmação pessoal. As imagens naturais presentes na letra aproximam essa transformação individual dos ciclos de renovação que atravessam o restante álbum.
A ligação entre o corpo humano e os sistemas naturais encontra uma expressão mais direta em “Natural Is Flow”. Através de uma composição que evoca o movimento dos rios, as migrações e a circularidade da vida, o tema desenvolve uma reflexão sobre a posição do indivíduo num ecossistema mais vasto. A faixa presta também homenagem a John e Alice Coltrane, recorrendo a samples de saxofone e voz dos músicos, e conta com a participação especial de André Fernandes na guitarra elétrica. A procura de transcendência através da criação artística aproxima-se aqui de uma conceção da natureza enquanto espaço de interdependência e transformação contínua.
Essa relação entre resistência e renovação prolonga-se em “Possibility / Clovers and Dandelions”. A primeira parte funciona como uma introdução à composição seguinte, utilizando a imagem de plantas frequentemente consideradas indesejadas para refletir sobre a persistência da vida em condições adversas. Com uma aproximação musical à pop alternativa de inspiração retro, “Clovers and Dandelions” transforma os trevos e dentes-de-leão em metáforas para comunidades deslocadas e culturas que resistem à destruição provocada pela guerra e pelos movimentos migratórios forçados. A canção, que conta com a participação de Mick Trovoada na percussão, sublinha a capacidade de transmissão e renovação cultural mesmo perante a perda de território.
Ao longo destas composições, a natureza surge como uma referência recorrente para compreender os processos humanos. Raízes que rompem o cimento, plantas que recuperam espaço, rios em movimento e ciclos de transformação estabelecem uma relação entre a resistência individual, a sobrevivência das comunidades e o equilíbrio dos ecossistemas. Essa aproximação permite aos Mad Nomad articular experiências íntimas e questões coletivas sem as apresentar como dimensões separadas.
O projeto Mad Nomad desenvolve-se a partir de uma abordagem artística assente na liberdade criativa, na improvisação e na experimentação sonora. Com uma identidade que cruza jazz, spoken word, canção, eletrónica e paisagens sonoras imersivas, o coletivo procura explorar os espaços de contacto entre concerto, performance poética e instalação sonora. A utilização de instrumentos acústicos e eletrónicos, a manipulação de estruturas rítmicas e a presença da palavra enquanto elemento musical constituem algumas das características centrais desta linguagem.
Com “COMMON GROUND”, os Mad Nomad aprofundam essa procura através de um trabalho em que a diversidade musical acompanha a pluralidade das experiências humanas que lhe dão origem. Entre a memória das comunidades afro-diaspóricas, a crítica às estruturas de desigualdade e os processos pessoais de reconstrução, o álbum propõe a escuta e a partilha como pontos de partida para reconhecer aquilo que une indivíduos e comunidades sem eliminar as diferenças que os constituem.

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