© Paula Yubero
Depois de “Fogo Artifício”, Coelho Radioactivo apresenta “Minhas Mãos”, segundo single de antecipação ao quarto álbum do projeto de João Sarnadas, intitulado “Anti-Ontem”, com lançamento agendado para o dia 27 de outubro. Construída a partir de duas faces aparentemente opostas, a canção parte de um sentimento de incapacidade perante as pressões do presente para encontrar, num segundo momento, uma possibilidade de resposta através da empatia, do cuidado e da relação com os outros. O lançamento é acompanhado por um videoclipe realizado pela cineasta Tânia Dinis.
Se “Fogo Artifício” colocava em confronto a luminosidade da música com a incerteza de um presente onde o passado parece cada vez mais distante e o futuro difícil de antecipar, “Minhas Mãos” dirige o olhar para a capacidade — ou incapacidade — individual de agir perante aquilo que acontece em redor.
A imagem das mãos assume, por isso, um duplo significado ao longo da canção. Num primeiro momento, representam a falta: de sustento, de agência e de poder perante forças que parecem demasiado grandes para poderem ser contrariadas individualmente. Coelho Radioactivo observa um contexto onde aquilo que nos rodeia parece ruir e onde as estruturas do próprio sistema contribuem para aprofundar a miséria, o isolamento e o egoísmo.
É a partir desse lugar mais escuro que “Minhas Mãos” encontra a sua segunda face. As mesmas mãos que parecem incapazes de alterar aquilo que as ultrapassa são também aquelas através das quais se torna possível estabelecer uma ligação com o outro. Sem transformar essa mudança numa resposta definitiva ou numa visão ingenuamente otimista, a canção encontra nos gestos individuais uma possibilidade de resistência à sensação inicial de impotência.
Dar carinho, abraçar, amparar ou simplesmente segurar alguém tornam-se, assim, ações concretas perante uma realidade que frequentemente parece impossível de controlar. Se uma mão traduz a incapacidade de responder ao todo, a outra aponta para aquilo que permanece ao alcance de cada pessoa: cuidar, criar proximidade e procurar um lugar mais empático através da relação com quem está à volta.
O novo trabalho dá continuidade a um percurso iniciado por João Sarnadas em 2007, quando criou Coelho Radioactivo enquanto projeto de cantautor. Desde então, editou trabalhos como “Canções Mortas” e um disco com a sua banda de apoio, Os Plutónios, além de vários singles e EP, e realizou mais de 150 concertos em Portugal.
Paralelamente, João Sarnadas tem desenvolvido atividade em diferentes territórios da criação musical. Faz parte de Flamingos, Well e Montanha e é um dos fundadores de José Pinhal Post-Mortem Experience. O seu percurso cruza ainda a música experimental e improvisada através da Favela Discos, coletivo no qual participou na criação de projetos como Milteto, Vive Les Cônes e Xula Velhos, assim como na programação e desenvolvimento de residências artísticas.
Ao longo dos últimos anos, tem explorado diferentes estratégias de improvisação e abordagens à eletrónica, com particular atenção ao loop, ao drone e à utilização da mesa de mistura enquanto instrumento. O seu trabalho estendeu-se igualmente ao teatro, à dança e à criação de identidades sonoras, incluindo projetos para a CRL – Central Elétrica e para o Batalha Centro de Cinema.
Com “Minhas Mãos”, Coelho Radioactivo apresenta uma nova dimensão do universo de “Anti-Ontem”. Entre a impotência perante aquilo que parece demasiado grande para mudar e a possibilidade de agir através dos gestos mais próximos, João Sarnadas encontra nas mãos uma imagem para aquilo que simultaneamente nos limita e nos permite chegar aos outros.
Se “Fogo Artifício” colocava em confronto a luminosidade da música com a incerteza de um presente onde o passado parece cada vez mais distante e o futuro difícil de antecipar, “Minhas Mãos” dirige o olhar para a capacidade — ou incapacidade — individual de agir perante aquilo que acontece em redor.
A imagem das mãos assume, por isso, um duplo significado ao longo da canção. Num primeiro momento, representam a falta: de sustento, de agência e de poder perante forças que parecem demasiado grandes para poderem ser contrariadas individualmente. Coelho Radioactivo observa um contexto onde aquilo que nos rodeia parece ruir e onde as estruturas do próprio sistema contribuem para aprofundar a miséria, o isolamento e o egoísmo.
É a partir desse lugar mais escuro que “Minhas Mãos” encontra a sua segunda face. As mesmas mãos que parecem incapazes de alterar aquilo que as ultrapassa são também aquelas através das quais se torna possível estabelecer uma ligação com o outro. Sem transformar essa mudança numa resposta definitiva ou numa visão ingenuamente otimista, a canção encontra nos gestos individuais uma possibilidade de resistência à sensação inicial de impotência.
Dar carinho, abraçar, amparar ou simplesmente segurar alguém tornam-se, assim, ações concretas perante uma realidade que frequentemente parece impossível de controlar. Se uma mão traduz a incapacidade de responder ao todo, a outra aponta para aquilo que permanece ao alcance de cada pessoa: cuidar, criar proximidade e procurar um lugar mais empático através da relação com quem está à volta.
O novo trabalho dá continuidade a um percurso iniciado por João Sarnadas em 2007, quando criou Coelho Radioactivo enquanto projeto de cantautor. Desde então, editou trabalhos como “Canções Mortas” e um disco com a sua banda de apoio, Os Plutónios, além de vários singles e EP, e realizou mais de 150 concertos em Portugal.
Paralelamente, João Sarnadas tem desenvolvido atividade em diferentes territórios da criação musical. Faz parte de Flamingos, Well e Montanha e é um dos fundadores de José Pinhal Post-Mortem Experience. O seu percurso cruza ainda a música experimental e improvisada através da Favela Discos, coletivo no qual participou na criação de projetos como Milteto, Vive Les Cônes e Xula Velhos, assim como na programação e desenvolvimento de residências artísticas.
Ao longo dos últimos anos, tem explorado diferentes estratégias de improvisação e abordagens à eletrónica, com particular atenção ao loop, ao drone e à utilização da mesa de mistura enquanto instrumento. O seu trabalho estendeu-se igualmente ao teatro, à dança e à criação de identidades sonoras, incluindo projetos para a CRL – Central Elétrica e para o Batalha Centro de Cinema.
Com “Minhas Mãos”, Coelho Radioactivo apresenta uma nova dimensão do universo de “Anti-Ontem”. Entre a impotência perante aquilo que parece demasiado grande para mudar e a possibilidade de agir através dos gestos mais próximos, João Sarnadas encontra nas mãos uma imagem para aquilo que simultaneamente nos limita e nos permite chegar aos outros.

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