Os Festivais de Outono da Universidade de Aveiro regressam entre 25 de outubro e 27 de novembro para uma 22.ª edição dedicada ao diálogo entre a música e outras formas de expressão artística. Sob o mote “Música +”, a programação reúne 15 concertos e espetáculos e uma mesa-redonda, distribuídos por Aveiro, Águeda, Ílhavo e Oliveira de Azeméis, cruzando nomes como Ana Moura e o Ensemble Mediterrain com diferentes gerações de intérpretes, criação contemporânea e projetos desenvolvidos no contexto da Universidade de Aveiro.
Literatura, pintura, dança, teatro e novos média atravessam uma edição que coloca a música no centro de diferentes relações inter e multidisciplinares. Ao longo de pouco mais de um mês, a programação propõe pintura criada em tempo real, narração e poesia, projeções audiovisuais, dança, eletrónica e um espetáculo concebido para ser ouvido no escuro, estendendo esse diálogo a questões de tradição, património, formação, integração e multiculturalidade.
“A presente edição provoca, de forma intencional, a convivência da música não apenas com outras expressões artísticas como a literatura, a pintura, a dança, o teatro, os novos media, mas também com conceitos mais vastos como tradição, património, formação, integração, inter e multiculturalidade”, explica Pedro Rodrigues, diretor artístico dos Festivais de Outono.
A 22.ª edição arranca a 25 de outubro, às 17h00, no Auditório Renato Araújo da Universidade de Aveiro, com “Illuminations”. Sob direção do maestro convidado Pablo Urbina, a Orquestra Filarmonia das Beiras recebe a soprano Sofia Marafona num programa que aproxima três universos estéticos distintos e os coloca em diálogo com live visuals concebidos por Arianny Cavalcante e Matheus Almeida, estudantes do mestrado em Comunicação Audiovisual para Novos Média.
O concerto de abertura parte de “Metamorphoses... homage à M. C. Escher”, de Luís Carvalho, obra inspirada nas gravuras de M. C. Escher, passando depois por “Les Illuminations”, de Benjamin Britten, sobre poemas de Arthur Rimbaud, e pela Segunda Sinfonia de Louise Farrenc. A relação entre música, palavra e imagem estabelece desde o primeiro momento o princípio que atravessa a edição de 2026.
Dois dias depois, a 27 de outubro, os Festivais de Outono chegam ao Centro de Artes de Águeda com “Da Saudade à Liberdade”, projeto do Quarteto Parnaso com Estefânia Surreira. A partir de arranjos para quarteto de guitarras sobre música de José Afonso, Carlos Paredes, Madredeus, Ferrer Trindade e Armandinho, o espetáculo junta narração, verso dito e improvisação num percurso entre diferentes expressões da música portuguesa.
Ana Moura é um dos nomes em destaque na programação e atua a 31 de outubro, às 21h30, na Caixa UA. A artista apresenta “Casa Guilhermina”, o sétimo álbum da sua discografia e o primeiro em que assumiu responsabilidades de escrita. Editado em 2022, o trabalho marcou uma nova etapa no seu percurso, aproximando diferentes tradições que atravessam a sua música de linguagens contemporâneas e incluindo temas como “Andorinhas”, “Jacarandá”, “Agarra em Mim” e “Arraial Triste”.
A relação entre música e património prossegue a 3 de novembro, na Igreja Carmelita de Aveiro, com “António Acorda António”, recital-conferência de Tiago Matias e Orlando Trindade. O projeto nasce do estudo direto de uma guitarra ibérica de seis ordens pertencente ao Ashmolean Museum, a partir da qual foi construída uma réplica recorrendo a materiais e técnicas do final do século XVIII.
A literatura regressa ao centro da programação a 7 de novembro. No Auditório Renato Araújo, o Ensemble Mediterrain interpreta as “Variações Goldberg”, de Johann Sebastian Bach, na versão para trio de cordas de Dmitri Sitkovetsky. A execução será intercalada por leituras do poema “Bach: Variações Goldberg”, de Jorge de Sena, incluído em “Arte de Música”, aproximando a composição de Bach da resposta literária que inspirou no poeta português.
No dia seguinte, 8 de novembro, o festival desloca-se ao Teatro Vista Alegre, em Ílhavo, para um concerto do Duo Torres Fruscella. Bandoneón e guitarra percorrem diferentes momentos da história do tango, da música associada à dança ao desenvolvimento de uma linguagem destinada à escuta em sala, através de repertório que passa por Carlos Gardel, Aníbal Troilo e Astor Piazzolla.
A criação contemporânea ocupa também um lugar central nesta edição. A 10 de novembro, “Presente(em)mente”, do Ensemble Momentum UA, aproxima obras de compositores dos séculos XX e XXI de estreias mundiais de estudantes de composição do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, estabelecendo um espaço de encontro entre repertório consolidado e uma nova geração de criadores.
Três dias depois, o Perdigão Ensemble apresenta “De tenebris ad lucem sonorum”, uma criação para ensemble e eletrónica que parte do conceito de música acusmática — ouvir os sons sem observar as suas causas. O concerto começa em completa escuridão, evolui progressivamente para a claridade e regressa, nos últimos minutos, à ausência total de luz, deslocando a atenção do público para a própria experiência da escuta.
A formação e a criação desenvolvida no contexto académico prolongam-se a 14 de novembro com “Laureados UA — Prémio Frederico de Freitas”. Alexander Stretile e Victor Canto, vencedores das edições de 2019 e 2026 do Prémio de Interpretação Frederico de Freitas, apresentam no Auditório do Departamento de Comunicação e Arte um recital de piano com obras de Franz Liszt e Sergei Prokofiev.
No dia 15, os Festivais de Outono chegam a Oliveira de Azeméis com “O Canto da Natureza”. O Duo Senza Misura, formado por Ana Ester Santos, na harpa, e Marina Camponês, na flauta, interpreta obras de Jean-Michel Damase, Toru Takemitsu, Sérgio Azevedo e Erik Satie enquanto o aguarelista Carlos Santos Marques pinta ao vivo. O próprio público é convidado a desenhar em tempo real aquilo que a música lhe sugere, transformando o concerto num exercício partilhado entre som e representação visual.
Música e imagem voltam a encontrar-se a 19 de novembro em “Cartografia Sonora Imaginária”, da Companhia de Música Teatral. No Centro de Estudos de Jazz da Universidade de Aveiro, Paulo Maria Rodrigues e Jorge Graça constroem em tempo real um discurso de memórias, imagens, reverberações e provocações, organizado através de quadros cuja concretização depende daquilo que os performers observam e experienciam em palco.
“Pintar a Música”, a 21 de novembro, leva essa relação a outro território. O QCContemporâneo interpreta no Salão Amizade quatro obras de compositores portugueses contemporâneos — Sara Carvalho, João Pedro Oliveira, Amílcar Vasques-Dias e Ana de Ataíde Magalhães — enquanto João Sobreira desenvolve uma pintura ao vivo, captada e projetada em tempo real.
A programação contempla igualmente os públicos mais novos. “Música em Movimento”, no dia 22 de novembro, reúne o violinista André Fonseca, o pianista João Araújo e estudantes do Curso de Dança da Escola Artística do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Aveiro. A partir de sonatas de Beethoven e Prokofiev, o concerto para famílias explora a relação entre música e movimento e é aberto a todos os públicos.
A dimensão multicultural da edição ganha particular expressão a 25 de novembro, no Teatro Aveirense, com “Todos os sons vão dar à UA”. O Ensemble Internacional da Universidade de Aveiro reúne onze jovens músicos provenientes da Costa Rica, China, Brasil, Venezuela, Colômbia e Turquia, cruzando instrumentos da tradição ocidental com o xiao, o guzheng, o zhongruan e o bağlama. Constituído por estudantes de diferentes ciclos de ensino, o projeto transforma a diversidade de proveniências e práticas musicais num espaço de encontro e partilha.
O oceano encerra simbolicamente a 22.ª edição. A 27 de novembro, o Teatro Aveirense recebe “O Som da Água”, concerto com endosso da Década das Nações Unidas das Ciências do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável 2021-2030. Através de três obras do repertório sinfónico dos séculos XX e XXI, o programa observa o oceano enquanto força natural, ecossistema e espaço de ligação entre culturas, memórias e histórias.
A Orquestra das Beiras e a Orquestra Sinfónica do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro percorrem “Four Sea Interludes”, de Benjamin Britten, “O Sotaque Azul das Águas”, de Luís Tinoco, inspirado na poesia de Manoel de Barros, e “La Mer”, de Claude Debussy, num programa que atravessa diferentes representações musicais do mar.
Antes do concerto de encerramento, às 18h00, o Salão Nobre do Teatro Aveirense acolhe uma das novidades da edição: uma mesa-redonda dedicada à relação entre cultura, literacia oceânica e criação artística. A conversa reúne Susana Sardo, Pró-Reitora para a Cultura, Património Imaterial e Multiculturalidade da Universidade de Aveiro, Luís Menezes Pinheiro, coordenador do Comité Nacional da Década do Oceano, e o compositor Luís Tinoco, com moderação de Pedro Rodrigues.
Entre a música antiga e a criação contemporânea, o fado, o tango, a literatura, a dança, as artes visuais e os novos média, os Festivais de Outono regressam assim em 2026 procurando ampliar aquilo que pode existir em torno da experiência musical. Ao longo de 15 concertos e espetáculos e uma mesa-redonda, “Música +” propõe a música não como uma linguagem isolada, mas como ponto de partida para encontros entre diferentes práticas, gerações, geografias e formas de criação.
A edição de 2026 reforça ainda as medidas de inclusão e acessibilidade iniciadas no ano anterior. No concerto de Ana Moura estarão disponíveis audiodescrição, legendagem em tempo real, interpretação em Língua Gestual Portuguesa, sistema ring loop e dois coletes hápticos destinados a pessoas surdas e/ou com deficiência auditiva. Em todos os concertos, pessoas com deficiência poderão adquirir um bilhete que inclui, pelo mesmo valor, a entrada de uma pessoa acompanhante ou assistente pessoal.
Os bilhetes para os Festivais de Outono variam entre os 4 e os 15 euros, existindo ainda packs família e vários momentos de entrada gratuita. A programação completa, a bilheteira e as informações relativas a cada espetáculo encontram-se disponíveis através do site: https://www.ua.pt/pt/festivaisdeoutono/
Todos os dias às 19h, o mais antigo programa de rádio pela música portuguesa
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terça-feira, 13 de outubro de 2026
FESTIVAIS DE OUTONO DE REGRESSO A AVEIRO
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