Quatro anos depois do último longa-duração, João Sarnadas apresenta o quarto álbum de Coelho Radioactivo, antecipado pelos singles “Fogo Artifício” e “Minhas Mãos”. O novo trabalho cruza a escrita de canções com influências da música ambient e drone, numa reflexão sobre as estruturas que condicionam a vida contemporânea e as relações humanas.
Coelho Radioactivo, projeto musical de João Sarnadas, apresenta “Anti-Ontem”, o seu quarto longa-duração. Depois de quatro anos de ausência discográfica, o músico regressa com um trabalho que parte da inquietação perante o presente para refletir sobre a memória, a perda de autonomia, o isolamento e a dificuldade de imaginar um futuro fora das estruturas que condicionam a vida contemporânea. Antecipado pelos singles “Fogo Artifício” e “Minhas Mãos”, o álbum desenvolve uma reflexão sobre a relação entre o indivíduo e a sociedade, explorando também a forma como as pressões exteriores podem comprometer os vínculos humanos e a possibilidade de encontrar apoio nos outros.
O conceito de “Anti-Ontem” nasce de uma observação crítica do tempo presente e da forma como determinadas estruturas de poder se tornaram progressivamente inseparáveis da experiência quotidiana. A ideia de prisão, habitualmente associada a um espaço físico delimitado por paredes e fronteiras, assume no universo do disco uma dimensão mais abrangente. Em vez de permanecer confinada a lugares identificáveis, transforma-se numa condição que se estende às relações sociais, aos espaços de convivência e às possibilidades de escolha individual.
Esta perspetiva encontra expressão nos textos escritos por Camila Lobo para acompanhar o álbum, onde a prisão surge como uma condição que ultrapassa os limites do encarceramento físico. Através de imagens de clausura, violência e despossessão, a escrita aproxima os mecanismos de dominação da experiência quotidiana, sugerindo uma realidade em que as fronteiras entre liberdade e confinamento se tornam cada vez menos evidentes.
A reflexão desenvolve-se também em torno da ideia de que os mecanismos de dominação nem sempre são reconhecidos por aqueles que vivem sob a sua influência. O texto observa a forma como determinadas estruturas podem ser aceites, reproduzidas ou até defendidas por quem delas sofre as consequências, estabelecendo uma relação entre desigualdade, conformismo e perda de autonomia. A imagem de uma torre onde se acumulam os resultados da pilhagem traduz essa concentração de poder e recursos, enquanto a admiração que suscita coloca em evidência as contradições de uma sociedade que pode acabar por legitimar a sua própria despossessão.
É neste contexto que o título “Anti-Ontem” adquire particular significado. A relação com o passado não surge enquanto possibilidade de recuperar um tempo idealizado, mas antes como uma questão atravessada pela impossibilidade de regressar ao que deixou de existir. O álbum confronta a nostalgia com a necessidade de reconhecer as condições do presente, questionando tanto a aceitação da realidade atual como a procura de respostas em modelos e experiências que já não podem ser recuperados.
Essa tensão entre memória e futuro esteve presente desde “Fogo Artifício”, música que assinalou o regresso de Coelho Radioactivo. Apresentada como a composição mais luminosa do álbum, a canção estabelece um contraste entre a leveza da melodia e uma escrita marcada pela incerteza. Nela, a memória transforma-se num lugar progressivamente inacessível, enquanto o futuro permanece difícil de imaginar. A atmosfera musical, próxima de uma última recordação do verão, convive com a sensação de se estar perante um precipício, sem que exista um caminho evidente para avançar ou regressar. Esta oposição introduz uma das características conceptuais do disco: a coexistência de diferentes estados emocionais perante uma realidade que resiste a interpretações simples.
A reflexão desenvolve-se também em torno da ideia de que os mecanismos de dominação nem sempre são reconhecidos por aqueles que vivem sob a sua influência. O texto observa a forma como determinadas estruturas podem ser aceites, reproduzidas ou até defendidas por quem delas sofre as consequências, estabelecendo uma relação entre desigualdade, conformismo e perda de autonomia. A imagem de uma torre onde se acumulam os resultados da pilhagem traduz essa concentração de poder e recursos, enquanto a admiração que suscita coloca em evidência as contradições de uma sociedade que pode acabar por legitimar a sua própria despossessão.
É neste contexto que o título “Anti-Ontem” adquire particular significado. A relação com o passado não surge enquanto possibilidade de recuperar um tempo idealizado, mas antes como uma questão atravessada pela impossibilidade de regressar ao que deixou de existir. O álbum confronta a nostalgia com a necessidade de reconhecer as condições do presente, questionando tanto a aceitação da realidade atual como a procura de respostas em modelos e experiências que já não podem ser recuperados.
Essa tensão entre memória e futuro esteve presente desde “Fogo Artifício”, música que assinalou o regresso de Coelho Radioactivo. Apresentada como a composição mais luminosa do álbum, a canção estabelece um contraste entre a leveza da melodia e uma escrita marcada pela incerteza. Nela, a memória transforma-se num lugar progressivamente inacessível, enquanto o futuro permanece difícil de imaginar. A atmosfera musical, próxima de uma última recordação do verão, convive com a sensação de se estar perante um precipício, sem que exista um caminho evidente para avançar ou regressar. Esta oposição introduz uma das características conceptuais do disco: a coexistência de diferentes estados emocionais perante uma realidade que resiste a interpretações simples.

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