terça-feira, 27 de outubro de 2026

TREMOR 2027 REVELA PRIMEIRAS CONFIRMAÇÕES










Acid Mothers Temple, Horse Lords, Dora Morelenbaum, Femme Falafel, Edredon Sensible e Coro das Mulheres da Ilha estão entre os primeiros nomes anunciados para a edição de 2027, que decorre de 16 a 20 de março, na ilha de São Miguel, nos Açores.

Entre 16 e 20 de março de 2027, o Tremor regressa à ilha de São Miguel, nos Açores, para mais uma edição dedicada à descoberta musical e ao encontro entre arte, território e comunidade. As primeiras confirmações do cartaz revelam uma programação que atravessa diferentes geografias e linguagens, da psicadelia japonesa ao jazz, da experimentação electrónica às novas expressões da música brasileira, passando pelo rock, pelas culturas de dança e pela criação comunitária açoriana.

A psicadelia ocupa um lugar de destaque nestas primeiras confirmações com os japoneses Acid Mothers Temple, coletivo fundado por Kawabata Makoto em 1995, cuja extensa discografia se constrói a partir da improvisação e de uma exploração permanente das possibilidades do rock cósmico, do folk experimental e do noise. A esta viagem junta-se o imaginário singular dos Ak’chamel, projeto oriundo do Texas que combina psicadelia desértica, folk ritual e uma estética xamânica pós-apocalíptica.

A repetição e a exploração rítmica encontram outras possibilidades nos norte-americanos Horse Lords, quarteto de Baltimore que cruza rock instrumental, minimalismo, polirritmias e afinações microtonais. Próximos desta ideia de movimento contínuo, mas com uma expressão mais física e explosiva, os franceses Edredon Sensible apresentam uma formação invulgar de dois saxofones e duas baterias. A partir de ritmos inspirados nas batucadas brasileiras, riffs circulares e impulsos minimalistas, o grupo constrói um jazz de transe onde a precisão coletiva e a liberdade da improvisação se encontram. A experimentação eletrónica assume uma expressão particularmente imprevisível com os finlandeses MUOVIPUSSI, trio que combina rap, pop fragmentada, metal e uma atitude punk, numa sucessão de mudanças rítmicas, vozes guturais e momentos de teatralidade surrealista.

No universo da música brasileira confirma-se Dora Morelenbaum, jovem artista que tem aproximando a sofisticação harmónica da canção brasileira de uma pop intimista e contemporânea. Também a partir do diálogo entre diferentes tradições musicais, a pianista e compositora luso-angolana Gisela Mabel desenvolve uma escrita para piano em que a formação clássica e a liberdade do jazz convivem com ritmos africanos e brasileiros.

A irreverência e o confronto entre géneros atravessam outras confirmações nacionais. Femme Falafel, alter ego de Raquel Pimpão, cruza hip-hop, jazz, disco, house e MPB com uma escrita marcada pelo absurdo, pela ironia e por um olhar mordaz sobre os pequenos dramas do quotidiano. Já Escárnio faz da urgência do rock de espírito punk um veículo para expressar a raiva, a vulnerabilidade e as experiências vividas pelas mulheres, com guitarras abrasivas, refrões incisivos e letras sem concessões. A intensidade das guitarras prolonga-se nos TRAVO, quarteto de Braga e do Porto que aproxima o rock psicadélico do garage, do prog e da agressividade do thrash metal.

Nas pistas de dança, O Ghettão reúne DJ Nigga Fox, DJ Danifox e DJ Firmeza numa exploração coletiva das relações entre afro-deep-house polirrítmico, kuduro e minimalismo jazzístico. A partir do México, Rosa Pistola prolonga esta exploração das culturas de dança, reinventando o reggaeton underground através de ligações à guaracha, ao tribal mexicano, à cumbia, ao funk e ao dembow.

A ligação entre música, identidade e comunidade encontra uma expressão particular no Coro das Mulheres da Ilha, projeto artístico criado em São Miguel no âmbito de Ponta Delgada 2026 – Capital Portuguesa da Cultura, sob direção musical e artística de Vânia Couto. Reunindo mulheres de diferentes gerações, o coro aproxima a tradição musical portuguesa da identidade açoriana e das experiências femininas contemporâneas, transformando o canto coletivo num espaço de criação e afirmação comunitária.

Os passes gerais para o Tremor 2027 encontram-se esgotados. O festival colocará à venda os passes semanais no final de 2026 e passes de fim de semana no início de 2027. 

Mais informações em tremor-pdl.com.

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